ARTIGO

Gilberto Kassab: ‘O Ano Brasil-Reino Unido de Ciência & Inovação’

Em artigo publicado no jornal Correio Braziliense, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, comenta a importância da cooperação científica internacional

29/03/2018

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Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

 

 

Cooperação internacional é uma ferramenta primordial para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação. Isso se observa historicamente: basta lembrar, ao longo dos anos, o quanto os diferentes países se valeram da troca de experiências, do conhecimento, de acesso a realidades distintas e insumos com os quais não têm contato regularmente, para desenvolver as mais diferentes e impactantes pesquisas.

Pensando nisso, lançamos nesta terça-feira, em Brasília, o “Ano Brasil-Reino Unido de Ciência & Inovação”. Voltado ao período 2018-2019, dá sequência a acordo firmado entre nosso ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e seu par britânico, Boris Johnson.

A cooperação científica com o Reino Unido conheceu momento simbólico já em 1831, quando o naturalista Charles Darwin passou pelo nosso país, a bordo do navio de pesquisas Beagle, dando início a uma grande jornada de mapeamento da biodiversidade da América do Sul. Processo contínuo desde então, verificam-se até hoje incontáveis trocas científicas e tecnológicas, desde a ida de pesquisadores brasileiros à Grã-Bretanha, para aprofundar seus trabalhos, ao intercâmbio de informações, à presença de cientistas britânicos em nosso país e projetos construídos conjuntamente. Atualmente, o Reino Unido é o segundo país que mais recebe estudantes e pesquisadores brasileiros na área científica e tecnológica.

Estamos, portanto, fortalecendo um processo eficiente a partir desta terça-feira, na presença do embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, ele mesmo um cientista, com o conselheiro científico chefe do Foreign Office (o ministério britânico das Relações Exteriores), o professor Robin Grimes.

A inovação é um importante elemento das sociedades contemporâneas e se define como oportunidade de inserir na cadeia produtiva resultados de pesquisas que alteram fundamentalmente o modo de viver e de consumir. Começam a surgir produtos da indústria 4.0, na qual se destaca a internet das coisas. A maioria dos aparelhos eletrônicos cotidianos poderão ser acessados e controlados remotamente. O Reino Unido, que se encontra na vanguarda da inovação, poderá contribuir amplamente para o desenvolvimento brasileiro no setor.

O Brasil vive a retomada do seu crescimento econômico, em um processo árduo empreendido pelo Governo, pautado pelas restrições orçamentárias também impostas ao nosso Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Com limitações orçamentárias que vivemos, buscamos a otimização dos recursos disponíveis, a racionalização das ações do Ministério e também iniciativas e ações que permitam que a ciência, a pesquisa e a inovação brasileiras recebam novos aportes de recursos.

Daí também a importância desse tipo de iniciativa bilateral como a firmada com o Reino Unido.

E quero destacar que no evento desta terça-feira, em Brasília, tivemos novidade sobre o Fundo Newton. Trata-se de iniciativa do Governo britânico destinada a promover o desenvolvimento social e econômico por meio de parcerias com instituições brasileiras em ciência e inovação.

O Fundo Newton deverá aportar cerca de 330 milhões de reais ao Brasil em programas de pesquisa e formação técnica em áreas como mudanças climáticas, doenças infecciosas negligenciadas, biodiversidade e agricultura sustentável.

Assim como o Prêmio do Fundo Newton, que irá conceder um milhão de reais adicionais ao projeto de colaboração financiada no âmbito do Fundo Newton que melhor demonstrar impactos sociais e econômicos no Brasil.

Para além das possibilidades de interação de nossos cientistas, tradicionalmente, ciência, tecnologia e inovação mantêm grande presença e importância nas relações entre Brasil e Reino Unido, com transversalidade em áreas de comércio, investimento e meio ambiente.

Ressalto também a cooperação com as agências de fomento brasileiras, em especial o CNPq e as fundações estaduais de pesquisa. Também a Embrapii, entidade vinculada ao nosso Ministério, que em parceria com empresas britânicas, participa de sete projetos de inovação em Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pará. Em áreas as mais distintas, como internet das coisas, big data, machine learning, smart grids, tecnologias de gerenciamento de tráfego e mobilidade urbana, soluções em energias limpas e infraestrutura de água e esgoto.

A programação do Ano Brasil–Reino Unido de Ciência & Inovação se estende até maio do próximo ano, com palestras, workshops, seminários. Sigamos explorando e desenvolvendo nossos potenciais.

 

Artigo publicado no jornal Correio Braziliense em 28 de março de 2018.

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