ARTIGO

Guilherme Afif: ‘Porque defendo os batalhadores’

Em artigo publicado no site Poder 360, o ex-ministro Guilherme Afif Domingos, presidente do Espaço Democrático, afirma que o País precisa reconectar representantes e representados

19/04/2018

FacebookWhatsAppTwitter

 

 

Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae Nacional e do Espaço Democrático

 

Muitas são as qualidades e os pré-requisitos para que alguém queira ser candidato à Presidência da República. Certamente, o cargo público mais relevante no Brasil, e em muitos países com tradições presidencialistas, deve atender muitas exigências. Além das legais, é preciso que o postulante esteja conectado com o que pensa a população. Em outras palavras, é preciso “ouvir as ruas”.

Os anseios do eleitor mudam ao sabor dos tempos, mas dá para, empiricamente, elencar algumas impressões. Apesar das mudanças sociais recentes, o apego à família é um sentimento em comum a todos os segmentos de público. É onde estão depositadas as expectativas e para onde se direcionam os desejos de realização. Entre os mais maduros, a família é o eixo fundamental e, entre os mais jovens, a família compartilha com amizades os principais motivos de satisfação. Este é um dos principais valores que prezo.

E isso é importante para um candidato? Certamente. Resguardar os valores da família brasileira, sem deixar de acompanhar as mudanças e evoluções sociais, é essencial. Este é um ponto de equilíbrio. Levar em conta a tradição, sem deixar de estar atento às novas liberdades que estão surgindo e devem vir, faço questão de ressaltar, junto com maior responsabilidade.

Sou de família paulistana, com formação católica, como milhares de outras em nosso país. Meus doze netos me ajudam diariamente na conexão com as novas gerações.

Um sentimento que o brasileiro não consegue esconder hoje é o de pessimismo e decepção com seu país, com as instituições, com a classe política, com o futuro…. Lamento constatar isso, porque é muito ruim não gostar de política, ignorar que é de decisões políticas que são definidos os preços dos produtos mais básicos como o feijão e o arroz, o imposto que pagamos, os serviços públicos que são prestados. Costumo dizer que o destino de quem não gosta de política é acabar sendo governado pelos que gostam.

Mas não tiro a razão para tanta descrença. Passamos por momentos difíceis sim. Na economia, na política, no campo social, nos valores, nas tradições. O brasileiro se sente abandonado à própria sorte, sem representantes reconhecidos e sem referências institucionais a quem recorrer em suas necessidades. Muitos se consideram enganados, extorquidos, desrespeitados e prejudicados por aqueles que foram eleitos com a missão de cuidar e proteger os interesses dos cidadãos.

As informações sobre a corrupção no meio político e empresarial dão conta de um imbróglio de proporções incalculáveis. O brasileiro está impactado com o nível de envolvimento dos representantes do poder público em manobras ilícitas, com a dimensão das cifras envolvidas, com os mecanismos utilizados para encobrir a corrupção e com a desfaçatez com que homens públicos se posicionam frente aos acontecimentos, tentando se safar de responsabilidades.

Demonstram total falta de confiança nas lideranças do meio, não importa o partido, a ideologia, o cargo ou a longevidade na vida pública. Mostram-se frustrados e convictos da insignificância do cidadão nas preocupações da classe política. Qual a saída para tamanho dilema?

Participei da criação e da formação de dois partidos no Brasil. Sabe por que? Porque nunca deixei de acreditar nas instituições. Não há outro caminho, fora da política. Os desvios, a corrupção, os escândalos são inerentes às mais antigas democracias. Como disse Winston Churchill, “A democracia é o pior regime político, mas não há nenhum sistema melhor que ela”. Fora da democracia, da política, estão os estados de exceção, as ditaduras, os regimes autoritários. E isso, nossa memória não pode falhar, é o pior caminho para encontrarmos uma saída para as crises.

Ao invés de fugirmos do problema e desligarmos nossa atenção da política, o melhor a fazer é reformá-la. A política como é feita no Brasil está defasada, desacreditada, ultrapassada, equivocada. Temos de refazer a conexão entre representantes e representados. E isso somente será possível se mudarmos as regras do jogo político-eleitoral, introduzindo mudanças como o voto distrital, para aproximar eleitos de eleitores e podermos cobrar melhor dos parlamentares.

A desconexão entre Estado e Nação é outro problema grave a ser enfrentado. O Brasil real, como costumo chamar a economia de sobrevivência dos brasileiros, não é levado em conta pelos governos. O importante, pensa a grande imprensa e os governantes, equivocadamente, é agradar o “mercado”, esta entidade repleta de interesses distantes da população E atender a Estatocracia burocrática. Nisso, uma atualização de nossas leis e da Constituição é fundamental para combatermos o corporativismo e estimularmos a economia liberal de massa, esta dos pequenos negócios, que defendo há décadas.

Temos desafios enormes pela frente, reais, palpáveis, que as pessoas sentem na pele, no dia a dia. A questão da segurança é urgente. O medo perpassa a rotina do cidadão e se estende à preocupação com os familiares, igualmente expostos à violência urbana que cresceu e se tornou uma ameaça constante, independentemente do tipo de cidade.

O desemprego é outro grande temor que ronda a população. Em meio à crise, muitos declaram viver uma insegurança constante. Perder o emprego significa romper um dos pilares fundamentais de estabilidade familiar. A questão da saúde é outra pauta tensa entre os segmentos de classes mais baixas, sendo relatada de forma contundente a gravidade e precariedade da assistência que vem sendo prestada pelo poder público, partindo de um patamar que nunca chegou a ser satisfatório.

Enfrentar estes problemas, entre outros, é uma das missões mais desafiadoras de todo governante. E, insisto, isso somente será possível se refizermos as ligações entre Estado e Nação. Pode parecer muito teórico. Mas basta lembrar que todas as saídas para as últimas crises nacionais, sejam elas de caráter político ou econômico, foram feitas sem a participação do povo. As pessoas podem ir às ruas, como em 2013, ou cobrar pelas redes sociais, como têm feito, mas não são chamadas a opinar sobre as soluções encontradas. A participação popular é um eixo fundamental da democracia e esta não tem sido usada.

É por isso tudo que considero o brasileiro um sobrevivente, um batalhador. Ele vai à luta, trabalha por conta própria, corre atrás do prejuízo, monta seu próprio negócio e está enfrentando as crises. O empreendedorismo e os pequenos negócios é que estão proporcionando às nossas famílias uma saída para momentos tão difíceis.

São estas pessoas, com as quais lido diariamente, há décadas, que me motivam a oferecer ao Brasil um futuro. As entidades que nos apoiam, sejam as associações comerciais e empresariais, sejam os microempreendedores, é que me fizeram postular uma oportunidade de presidir nosso país. Apesar de estar afastado da vida partidária, sou um dos fundadores e ajudei a escrever o programa do PSD – Partido Social Democrático. Tenho trabalhado para que o partido confirme meu nome em sua convenção e me permita contribuir para que as futuras gerações tenham uma chance de ter um novo país.

FacebookWhatsAppTwitter

COMENTÁRIOS

Deixe seu comentário!




*

FacebookWhatsAppTwitter