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Em defesa dos portadores de diabetes e doenças crônicas

Juliana Válio: “Tem que existir um Centro de Referência que ofereça atendimento adequado e orientações para quem for diagnosticado com diabetes”.

 

A defesa dos direitos de pessoas portadoras de diabetes e doenças crônicas não transmissíveis é a principal bandeira política da ativista e integrante do PSD Mulher de São Paulo, Juliana Válio, de 38 anos. A decisão de se engajar nessa causa foi motivada por uma experiência pessoal que trouxe tanto sofrimento quanto aprendizado. Por volta dos dois anos de idade, Rodrigo, filho único de Juliana, foi diagnosticado com diabetes tipo 1.

A doença costuma surgir, principalmente, na infância e na adolescência, e é causada pela destruição das células produtoras de insulina — hormônio produzido pelo pâncreas que metaboliza o açúcar no sangue. Isso ocorre em função de uma deficiência no sistema imunológico.

Entre os sintomas estão a irritabilidade, vontade frequente de urinar e sede excessiva. “Ele começou a tomar muita água. Virava copos grandes sem derrubar uma gota”, relembra Juliana. Ao ser diagnosticado, Rodrigo apresentava níveis de glicose no sangue próximos a 700 ml/dl. O nível considerado normal é de cerca de 100 ml/dl.

A ativista mergulhou na pesquisa sobre o assunto, mas, além de lidar com o problema do filho, hoje com 13 anos de idade, teve de enfrentar o preconceito e o despreparo dos profissionais da creche que o menino frequentava. “O Rodrigo teve de sair da creche porque a diretora não queria se responsabilizar por ele. Nunca imaginei que iria passar por esse tipo de discriminação. Sabe quando você não acredita? Foi um choque horrível.”

Depois de mais três tentativas em escolas particulares que recusaram a matrícula para o aluno, ela conseguiu uma vaga em uma unidade que se dispôs a receber orientações de uma nutricionista ligada à Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), entidade recomendada por Juliana. “Todas as escolas tinham como bandeira a inclusão, mas percebi que isso só valia para quem tinha um problema visível. Eu não queria que aplicassem insulina, mas que, pelo menos, o professor pudesse reconhecer se o Rodrigo estava bem ou não”, explica Juliana.

Política

Depois de ter aprendido a lidar com a situação, a ativista sentiu a necessidade de compartilhar informações e apoiar famílias de diabéticos. No fim de 2017, resolveu dar mais um passo importante nesse sentido e ingressou na política, filiando-se ao PSD.

O maior incentivador dessa filiação foi o vereador paulistano e amigo José Police Neto (PSD), que apresentou Juliana à coordenadora do PSD Mulher, Alda Marco Antonio. Nas eleições de 2018, a ativista concorreu à Assembleia Legislativa e, embora não tenha sido eleita, pretende continuar no cenário político e lutar ainda mais pelas causas que defende.

“Tem que existir um Centro de Referência que ofereça atendimento adequado e orientações para quem for diagnosticado com diabetes. É preciso também divulgar as associações que atuam nessa área, promover campanhas e criar uma lei que proíba as escolas de negarem atendimento às crianças que têm diabetes. Claro que elas devem passar por treinamento, mas não pode haver discriminação.”