IMPRENSA

Brasil, 151º país do mundo em representação feminina

Reportagem da Folha de S. Paulo analisa a baixa participação de mulheres nas atividades políticas. Elas ocupam menos de 11% das cadeiras no Congresso, enquanto a média mundial é de 23%

19/02/2018

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Percentual de participação feminina registrado na última eleição é inferior ao de mulheres filiadas às legendas brasileiras

 

A baixa participação das mulheres nas atividades políticas foi tema de reportagem publicada nesta sexta-feira (16) no jornal Folha de S. Paulo. O texto (íntegra para assinantes aqui), de autoria do jornalista Rafael Gregorio, mostra que o Brasil está no 151º lugar no mundo em termos de representação feminina. Embora sejam maioria na população brasileira, indica a matéria, as mulheres ocupam apenas 10,94% das cadeiras no Congresso, enquanto a média mundial é de 23,5%.

O jornal informa ainda que, em 2016, 31,6% dos candidatos foram mulheres, número muito próximo da cota estabelecida em lei, que exige um mínimo de 30% de mulheres entre os concorrentes de cada partido. O percentual de participação feminina registrado na última eleição é inferior ao de mulheres filiadas às legendas brasileiras (44,27%, segundo a Folha).

Outro dado citado pelo jornal se refere à participação feminina no Executivo. Em 2014, só um Estado elegeu governadora: Suely Campos, do PP, em Roraima, que entrou na disputa após o marido ter a candidatura barrada pelo TSE. Menos de 12% dos municípios elegeram prefeitas em 2016.

Ouvido pela Folha, o professor da Universidade de Brasília e cientista político Wladimir Gramacho, disse que os números refletem uma assimetria social. “Mulheres ainda têm menos chances de ocupar posições de liderança na política e nas empresas”. Ele vai além: “Estudos sugerem que mulheres têm menos chance de praticar corrupção. Não porque sejam menos corruptas, mas porque os custos que enfrentaram foram em geral mais altos, e faz menos sentido arriscar”.

A jornalista Giulliana Bianconi, uma das diretoras da agência Gênero e Número, fala sobre os impactos desse processo. “Não que homens não possam falar de direitos femininos, mas há pautas historicamente lesadas”, afirma. Ela lamenta casos como o de uma deputada no RJ que “tinha tudo para se candidatar a deputada federal, mas desistiu por ter filho pequeno” como exemplo de que a questão é maior: “É preciso rediscutir a divisão do trabalho”.

A cientista política Patrícia Rangel, que pesquisa o tema em pós-doutorado na USP, adiciona que, segundo estudos, quanto maior o nível de gastos nas campanhas, menos chances as mulheres têm. O problema é maior no Brasil, diz, “que gasta três vezes mais que a média latino-americana”. Ela critica o uso de candidatas “fantasmas”, sem chances efetivas, só para cumprir a cota. Em 2016, 10% das candidatas a vereadoras tiveram zero votos ou apenas um. Entre homens, a proporção foi de 0,6%.

Já a socióloga Clara Araújo entende que uma eventual cota de assentos “acoberta as bases da desigualdade”. A solução, diz, passa por “estimular jovens a crer que podem participar em igualdade de condições”.

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