Investimentos

Com novas parcerias, País avança na pesquisa e inovação

Ministro Gilberto Kassab credencia unidades da Embrapii e diz que interesse das indústrias por investimentos em ciência e tecnologia vem crescendo, embora volume de recursos ainda esteja longe do ideal

06/09/2017

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O ministro Kassab participou de credenciamento de novas Unidades Embrapi ao lado do ministro Mendonça Filho

 

Para o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, “o Brasil está voltando seus olhos e investimentos” para ciência, tecnologia e inovação, embora o volume de recursos ainda esteja distante do ideal. Ele fez essa afirmação, ao lado do ministro da Educação, Mendonça Filho, ao anunciar nesta quarta-feira (6) o credenciamento de mais cinco unidades e quatro polos pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Selecionados por duas chamadas públicas, os nove institutos reforçam a presença direta da organização social nas regiões de Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), João Pessoa (PB), Machado (MG), Rio Verde (GO), São Leopoldo (RS) e Três Lagoas (MS).

Segundo Kassab, os planos de ação das novas unidades totalizam R$ 149 milhões – sendo R$ 52 milhões do governo federal. “A Embrapii vem se consolidando (diante da indústria) no mesmo caminho percorrido pela Embrapa em relação à pesquisa agropecuária”, destacou o ministro. “Percebemos que ela tem conseguido avançar na atração de instituições capazes de estabelecer parcerias que contribuam para o desenvolvimento da pesquisa e inovação.”

Kassab observou que “uma obra pode ser feita em seis meses em vez de três meses ou em dois anos em vez de um ano. Mas atividades de pesquisa e inovação não podem ser paralisadas. Você perde tudo. A formação de um universitário ou pós-graduando, seja aqui ou no exterior, não pode ser interrompida. Isso gera prejuízos imensos para o país.”

O ministro defendeu a aprovação pelo Congresso Nacional, “em curto espaço de tempo”, de projeto de lei ou emenda constitucional que impeça o contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) a partir de 2020. “Ainda vivemos uma fase em que recursos para educação, pesquisa e inovação podem ser contingenciados. E, na verdade, essa é a nossa luta e o nosso trabalho junto à equipe econômica.”

O ministro Mendonça Filho destacou o credenciamento de quatro institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) como polos da Embrapii, ao lado de cinco institutos Senai de Inovação, unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Mais uma vez, estamos estabelecendo um marco no que diz respeito ao apoio à inovação, de forma articulada com a Embrapii”, disse. “São ações que envolvem diretamente dois ministérios e um braço importante de promoção da inovação industrial no nosso país.”

Ele reconheceu os avanços recentes nos campos de ciência e tecnologia e educação, apesar de considerá-los aquém do esperado. “Para o volume de recursos e a proporção do investimento, creio que seria possível termos alcançado patamares ainda mais elevados. O Brasil não investe pouco em educação. São cerca de 6% do PIB, o que nos coloca num dos patamares mais significativos dentre os países-membros da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. Realmente, é algo que nos remete a uma reflexão sobre a necessidade de que o investimento se dê com melhor retorno para a sociedade, por meio da integração entre a produção, a pesquisa, a inovação e o setor educacional.”

Crescimento

O presidente do Conselho de Administração da Embrapii, Pedro Wongtschowski, ressaltou que, com os novos credenciamentos, a organização social alcança diretamente 14 Estados e o Distrito Federal, onde 42 instituições credenciadas atendem a segmentos do agronegócio, da indústria e do setor de serviços. “Enxuta e eficiente, com apenas 25 funcionários, a Embrapii atingiu plenamente os compromissos que assumiu no contrato de gestão”, comentou o dirigente, ao informar que as 33 unidades em funcionamento desenvolveram 284 projetos sob demanda empresarial.

Dentre os recém-aprovados, estão os institutos Senai de Inovação em Biomassa, localizado em Três Lagoas; em Eletroquímica, de Curitiba; em Metalurgia e Ligas Especiais, de Belo Horizonte; em Sistemas Embarcados, de Florianópolis; e em Soluções Integradas em Metalmecânica, de São Leopoldo; além dos campi dos institutos federais Goiano (IFGoiano) em Rio Verde, especializado em tecnologias agroindustriais; da Paraíba (IFPB) em João Pessoa, cuja área de competência são sistemas de manufatura; de Santa Catarina (IFSC) em Florianópolis, em sistemas inteligentes de energia; e do Sul de Minas (IFSuldeMinas) em Machado, voltado à agroindústria do café.

“Essas instituições têm, cada uma, um plano de ação com metas para atender, em prazo certo, um número mínimo de empresas, desenvolvendo para elas projetos de pesquisa e inovação em suas áreas de competência”, afirmou Wongtschowski. “Esse é o desafio e confiamos: terão condição de superar.”

O diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, lembrou a decisão de criar 25 institutos Senai de Inovação e 57 institutos Senai de Tecnologia nos últimos seis anos. “Para isso, estamos mobilizando um investimento de R$ 2,5 bilhões, com R$ 1,5 bilhão financiado pelo BNDES”, apontou. “Os institutos atuam em rede, até porque o processo inovativo é interdisciplinar. Já tínhamos cinco deles credenciados como unidades da Embrapii. Agora são 10.”

Projeto de inovação

Organização social qualificada pelo governo federal em 2013, a Embrapii mantém contrato de gestão com o MCTIC – acordo do qual o MEC participa como interveniente. As pastas repartem igualmente a responsabilidade pelo seu financiamento. O orçamento total é de R$ 1,5 bilhão até 2018.

A Embrapii tem como missão apoiar suas unidades, distribuídas por áreas de competência, para que elas executem projetos de inovação em parceria com a indústria. A organização social contribui com, no máximo, um terço do valor global das iniciativas, enquanto as empresas precisam investir a mesma parcela, no mínimo. O restante é de responsabilidade da instituição credenciada.

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