ENTREVISTA

‘Empresa Simples de Crédito é crédito olho no olho’

Guilherme Afif, presidente do Espaço Democrático e idealizador da Empresa Simples de Crédito fala sobre a inovação. “O microcrédito chegará aos mais longínquos rincões e ajudará o desenvolvimento”

14/05/2019

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Guilherme Afif: “Quero fazer o microcrédito chegar aos mais longínquos rincões do país e ajudar no desenvolvimento local. “

 

Em entrevista publicado pelo jornal O Globo na segunda-feira (13), o presidente do Espaço Democrático (fundação do PSD para estudos e formação política), Guilherme Afif Domingos, disse que os benefícios oferecido pela Empresa Simples de Crédito, criada por lei recentemente sancionada, serão sentidos aos poucos pela sociedade. “É uma coisa tão inovadora que as pessoas vão começar a perceber aos poucos”, disse.

Um dos idealizadores da Empresa Simples de Crédito, ele lembra que há 30 anos tenta a aprovação da matéria, que foi vetada duas vezes pelo Banco Central. Ex-presidente do Sebrae, Afif é hoje assessor especial do Ministério da Economia.

Veja os principais pontos da entrevista:

Qual foi a reação à sanção da Empresa Simples de Crédito?

É uma coisa tão inovadora que as pessoas vão começar a perceber aos poucos. Agora, é preciso desamarrar a cabeça e isso começa por meio de um trabalho de divulgação, que será feito pelo Sebrae. Mas foi recebido muito positivamente, principalmente por quem tinha factoring que nunca havia sido regulamentada.

Quem vai usar este crédito?

Por exemplo, uma pessoa que abriu um salão de beleza e precisa comprar um equipamento que custa R$ 3 mil. Se for na loja comprar, não tem financiamento. Mas ela consegue se for comprar uma televisão: são até 36 meses para pagar. O sistema financia consumo, não financia a produção.

É uma reação à concentração bancária?

Não estou inventado nada, só estou voltando ao século passado, o famoso crédito na caderneta, que era o crédito ‘olho no olho’. Quero fazer o microcrédito chegar aos mais longínquos rincões do país e ajudar no desenvolvimento local. Hoje, o crédito é um fator de concentração espacial e de renda. O crédito concentra, não distribui. Por isso, a ideia, embora seja um simples e antiga, é um pouco revolucionária.

O senhor tenta esta aprovação há muito tempo…

Eu tento há 30 anos. O Banco Central vetou duas vezes. O Ilan (Goldfajn, ex- presidente do Banco Central), com quem sempre tive um bom relacionamento, enxergou que a concentração bancária no Brasil estava um absurdo e que estava na hora de buscar alternativas. A criação da ESCs foi fruto de um acordo honrado pelo Banco Central e a Receita Federal.

O senhor acredita que haverá uma reação do setor bancário?

O banco não consegue chegar lá (nessas localidades). O que acho que vai acontecer é que vai haver uma mobilização dos bancos de apoiar a ESC para ser correntista dele. E, assim, poderá levar seus produtos aos lugares mais distantes.

Isto não seria uma legalização da agiotagem?

É a concorrência com a agiotagem. A agiotagem já é oficializada com os juros do cartão de crédito e do cheque especial, que chega a 340% ao ano.

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