DEBATE

Uma nova abordagem para definir políticas públicas

Encontro Democrático promove discussão sobre a Economia Comportamental, disciplina que adota conhecimentos da psicologia e da neurociência para explicar como as pessoas tomam decisões

10/11/2017

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O economista Carlos Mauro: “É possível alterar a percepção das pessoas sobre o tema alterando a comunicação”

 

O conhecimento sobre comportamentos e modos de interpretar a realidade pode ser muito útil para a definição e/ou correção das políticas públicas. Esse foi o recado dado pelo economista e professor Carlos Mauro, um dos pioneiros e principais desenvolvedores da área da Economia Comportamental em língua portuguesa, no Encontro Democrático realizado nesta quinta-feira (9), na sede do Espaço Democrático, em São Paulo, com a presença de integrantes do partido e lideranças como Alda Marco Antonio (coordenadora do PSD Mulher) e o deputado estadual Coronel Camilo (PSD-SP).

Diferente da abordagem econômica tradicional – para a qual as decisões econômicas são tomadas de modo racional, ponderado, centrado no interesse pessoal e com capacidade ilimitada de processar informações – a Economia Comportamental considera que as pessoas decidem com base em hábitos, experiência pessoal e regras práticas simplificadas. Aceitam soluções apenas satisfatórias, buscam rapidez no processo decisório, têm dificuldade em equilibrar interesses de curto e longo prazo e são fortemente influenciadas por fatores emocionais e pelo comportamento dos outros.

 

 

Relativamente nova, a disciplina decorre da incorporação, pela economia, de desenvolvimentos teóricos e descobertas empíricas no campo da psicologia, da neurociência e de outras ciências sociais. Os economistas comportamentais buscam entender e modelar as decisões individuais e dos mercados a partir dessa visão alternativa a respeito das pessoas. O tema ganhou destaque em outubro passado, quando o economista americano Richard H. Thaler ganhou o Prêmio Nobel de Economia por suas contribuições nessa área de conhecimento

O palestrante do Encontro Democrático desta quinta-feira, o professor Carlos Mauro, é o Chief Scientific Officer da CLOO Behavioral Insight Unit e docente da Católica Porto Business School (CPBS), de Portugal. Seu percurso multisciplinar envolve a Economia, a Gestão Pública, a Filosofia e as Ciências Cognitivas. Tem trabalhado com empresas e governos na aplicação da Economia Comportamental. Foi co-fundador do primeiro laboratório de investigação dedicado à área, na CPBS.

Em sua palestra, eles mostrou diversos exemplos de como as decisões de cunho econômico em geral não são tomadas de modo racional. “Dependendo das alternativas que são colocadas diante delas, as pessoas exibem um comportamento irracional previsível, indicando que agimos com base em um conjunto de variáveis que a Economia Comportamental procura conhecer e estudar”, explicou Carlos Mauro, acrescentando que esse conhecimento pode ser aplicado em diversos campos de atividade. “Nas políticas públicas isso é obviamente importante, pois pode mudar comportamentos”.

 

Os Encontros Democráticos vêm sendo promovidos há mais de três anos para debater sobre questões de interesse da sociedade brasileira

 

Nesse sentido, ele lembrou experiências como a realizada no Texas (EUA), para reduzir o descarte de lixo nas ruas. “A solução foi criar o slogan Don’t Mess With Texas (Não provoque o Texas), que, apelando para a identidade regional das pessoas, conseguiu, num período de 6 anos, reduzir em 72% a quantidade de resíduos jogados nas vias públicas”, contou o especialista.

Questionado por um dos integrantes da mesa – o consultor do Espaço Democrático e cientista político Rubens Figueiredo – sobre como a Economia Comportamental poderia, por exemplo, contribuir na questão da Reforma da Previdência, que apesar de importante para o futuro econômico do País é renegada por parcela importante da população, Carlos Mauro afirmou que a dificuldade do governo, para aprovação das mudanças, começa em razão da comunicação. “É possível alterar a percepção das pessoas sobre o tema alterando a comunicação”, disse.

Contudo, previu que o governo deve enfrentar muitos problemas para alterar essa percepção, pois a sucessão de escândalos de corrupção diminui a credibilidade da proposta. “As pessoas associam a possibilidade de reduzir benefícios à corrupção e, embora a reforma seja positiva para elas, não enxergam a questão por esse ângulo. É preciso retirar do debate essa associação que as pessoas fazem entre corrupção e redução de benefícios”, explicou.

Os Encontros Democráticos vêm sendo promovidos pelo Espaço Democrático há mais de três anos, sempre com o objetivo de promover o debate sobre questões de interesse da sociedade brasileira, gerando conteúdo para orientar as ações dos integrantes do PSD nas diversas instâncias de governo. Os debates são transmitidos ao vivo na página do Espaço Democrático no Facebook e a íntegra das discussões é publicada no site.

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