Mulher

Vereadora do PSD dá exemplo de superação no interior de São Paulo

Única mulher na Câmara Municipal de Cajati (SP), Rosangela Rodrigues (PSD) perdeu a perna direita em um acidente de trator ocorrido na infância, superou a pobreza e atualmente ministra palestras motivacionais

01/09/2017

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Rosangela Ro e a coordenadora do PSD Mulher, Alda Marco Antonio.

 

A pobreza e as fatalidades da vida podem ser usadas como desculpas para a vitimização e a revolta. Mas para pessoas com a força de Rosangela Aparecida Rodrigues, vereadora e liderança do PSD Mulher em Cajati — cidade do Vale do Ribeira, no litoral Sul paulista — foram apenas obstáculos que a incentivaram a lutar ainda mais para atingir seus objetivos.

Nesta segunda-feira (28), a parlamentar compartilhou sua história em palestra na Câmara de Cajati, dentro da programação da Semana Municipal da Pessoa com Deficiência, evento que prossegue até o próximo dia 31 e inclui atividades esportivas, artísticas e educativas. A cerimônia de abertura contará com a deputada estadual Rita Passos (PSD).

Entusiasmada com o PSD Mulher, a vereadora trabalha pela criação de um conselho de defesa dos direitos femininos no município.

A batalha pela sobrevivência começou muito cedo na vida de Rosangela Ro, como a vereadora de 33 anos é popularmente conhecida no município. Aos dois anos, foi levada no para-lama do trator que o pai, Benedito Rodrigues, dirigia durante o trabalho em uma fazenda local. Alcoólatra e bastante truculento, ele permaneceu irredutível aos apelos da mãe da vereadora, Teresa Garcez, que fez de tudo para demovê-lo da ideia. “No caminho, havia uma descida, eu caí e a roda traseira do trator passou por cima da minha perna direita, que foi esmagada. Tive o quadril fraturado, traumatismo craniano e fiquei 28 dias em coma. Meu pai estava embriagado e me abandonou ali”, conta Rosangela.

A ajuda veio de um desconhecido, que a levou para um hospital no município vizinho de Pariquera-Açu, onde recebeu a visita dos pais somente depois de um mês. “Meu pai só voltou para casa depois de dez dias. Na época, minha mãe vivia praticamente num cárcere privado. Não tinha acesso a nada e era proibida de fazer tudo”, explica a vereadora.

Até os cinco anos de idade, Rosangela ficou internada no hospital, onde recebeu, além dos cuidados médicos, o carinho das enfermeiras, que organizavam até festas de aniversário para a paciente. Apesar de todo o zelo, o período de sofrimento ainda estava longe de terminar. “Para reconstruírem a minha perna, os médicos colocaram muitos enxertos, mas meu corpo rejeitava. Quando era criança, minha perna fedia. Aprendi a andar somente com dez anos e era carregada pelos meus irmãos num carrinho de mão”, relata.

Mesmo após o trágico episódio, a violência e os abusos emocionais não diminuíram. “Voltei muitas vezes ao hospital porque eu e minha mãe sofríamos agressões. Meu pai era muito violento e abandonou a gente quando eu tinha 12 anos”, recorda a vereadora.

As dificuldades financeiras enfrentadas pela família não foram poucas. “Já passamos muita fome e cheguei a revirar lixo para poder comer, mas nunca roubei ou fiz mal a alguém”, frisa a parlamentar, que recebe convites para ministrar palestras motivacionais em cidades vizinhas.

Rosangela fala com orgulho da mãe: “Uma guerreira”

Sem mágoas – Rosangela fala com orgulho da mãe, “uma guerreira”, e faz questão de deixar claro que não alimenta rancor em relação ao pai. Antes da morte de Benedito, há 11 anos, em decorrência de um infarto fulminante, ela ainda teve tempo de dizer a ele que não guardava mágoas. “Não culpo meu pai porque não sei a criação que ele teve. Não vejo a minha história como algo triste, mas como aprendizado. Deus dá todos os dias um motivo para que a gente seja feliz”, destaca a vereadora, que teve a perna direita amputada há cerca de dois anos, em função de um processo de necrose.

Superação e política – Apesar do histórico conturbado, Rosangela nunca desanimou diante dos desafios. Trabalhou como auxiliar de escritório e constituiu família (é casada há 17 anos com Luciano Rodrigues, com quem teve os filhos Luciano, de 16 anos, e Nathaly Stefanie, de 11).

Evangélica e ativa militante das causas sociais em Cajati, já ajudou muitas famílias do município a encontrarem assistência social e atendimento médico. A participação destacada chamou a atenção do meio político e resultou em convite para ingressar no PSD. Em sua estreia como candidata a vereadora, nas eleições de 2016, foi a quarta mais votada (502 votos), tornando-se a única presença feminina na lista dos nove parlamentares da Casa. “Fiquei um pouco assustada no começo, mas a maior motivação para que eu continuasse na política foi a doutora Alda Marco Antonio (coordenadora do PSD Mulher). Sigo os passos dela”, comenta Rosangela.

Entusiasmada, a vereadora trabalha pela criação de um conselho de defesa dos direitos femininos no município. “Estou levantando, junto com o delegado da cidade, o número de mulheres que sofrem agressões domésticas. Não temos aqui uma policial, delegada ou escrivã para receber as vítimas. Tenho vontade de retomar o curso de Direito e me tornar delegada, para defender as mulheres.”

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