DEBATE

Violência contra a mulher: a visão da sociedade avançou

Encontro Democrático comemorou Dia Internacional da Mulher com palestras de três médicas especializadas em agressões sexuais

08/03/2019

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Lideranças e militantes do PSD participaram do evento, que integrou a comemoração do Dia Internacional da Mulher

 

Como parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher, lideranças e militantes do PSD participaram nesta sexta-feira (8) de evento promovido pelo Espaço Democrático – a fundação para estudos e formação política do PSD – para discutir dois dos mais importantes temas da atualidade: os novos crimes sexuais e a violência psicológica contra a mulher.

O evento integra a série Encontros Democráticos, que a fundação do PSD vem fazendo regularmente há quase oito anos com o propósito de debater temas de interesse da sociedade brasileira e produzir informação para embasar a atuação dos integrantes do partido em todas as instâncias da vida nacional. O evento foi transmitido on-line pela página do Espaço Democrático no Facebook e a íntegra do debate será publicada no site da fundação.

Apresentado pela coordenadora nacional do PSD Mulher, Alda Marco Antonio, e pela senadora suplente Ivani Boscolo, o evento teve a participação de três especialistas nos temas: as médicas Daniele Muñoz e Mariana Silva Ferreira, que abordaram os “Novos Crimes Sexuais”, e pela psicóloga Ângela Lupo, que falou sobre “Violência psicológica contra a mulher”.

A médica legista e sexóloga criminal Mariana Silva Ferreira, professora da Academia de Polícia de São Paulo e fundadora da ação social Pródigs (Ação Pró-Dignidade Sexual), demonstrou em sua palestra que, embora exista na sociedade a sensação de que está ocorrendo um aumento da violência contra a mulher, o Brasil vive hoje uma situação mais positiva do que no passado, pois há uma crescente consciência sobre a gravidade das agressões sexuais, com um foco maior nas vítimas e o progressivo abandono da cultura de esconder a violência, como ocorria há apenas algumas décadas atrás.

A médica lembrou ainda que a legislação vem avançando, de acordo com a nova visão sobre a violência contra a mulher. “A lei mudou conforme a sociedade avançou, ampliando por exemplo o conceito de estupro, incluindo ações agressivas além da penetração vaginal, sendo que algumas delas eram vistas como normais há algum tempo”, disse Mariana Ferreira.

Por sua vez, Danielle Muñoz, médica legista que coordena o Núcleo de Sexologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo – Programa Bem-me-Quer, explicou como funciona a iniciativa colocada em prática pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretarias da Segurança e da Saúde) em parceria entre o Instituto Médico Legal e o Hospital Pérola Byington.

 

A psicóloga Ângela Lupo falou sobre “Violência psicológica contra a mulher”

 

Segundo Danielle Muñoz, que é professora da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo e dos cursos de especialização em Medicina Legal da Faculdade de Medicina da USP e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o programa foi criado em 2001, mas ainda é muito pouco conhecido, apesar do importante trabalho que realiza. “Oferecemos um atendimento multidisciplinar às mulheres vítimas de violência sexual, com cuidados com a saúde, eventuais sequelas psicológicas e as orientamos e auxiliamos na denúncia do fato à Justiça, pois essa é a única maneira de evitar que as agressões se repitam, seja com a mesma vítima ou outra mulher”.

Lembrando que o programa também mantém um banco de perfil genético que tem inclusive ajudado a identificar responsáveis por agressões em série, a médica destacou a importância de que a iniciativa seja replicada em outras cidades ou Estados, pois no momento atende apenas vítimas do município de São Paulo.

Por sua vez, Ângela Lupo, psicóloga pós-graduada em Psicopatologia e Psicossomática que atua no Ambulatório de Violência Sexual e Aborto Legal do Hospital Pérola Byington, em São Paulo, falou sobre a violência psicológica contra as mulheres, destacando a importância de não se julgar as atitudes das vítimas. “Muitas vezes mulheres que sofrem esse tipo de agressão são criticadas pela passividade ou até acusadas de gostarem da situação”, recordou, explicando que os impactos da violência psicológica são muito complexos.

De acordo com ela, agressores e vítimas vivem um ciclo de violência, que começa com tensões entre um casal, por exemplo, que a mulher tenta contornar fazendo concessões. “Mas ela sempre acaba sofrendo agressões psicológicas ou até físicas, após o que o parceiro diz que se arrependeu e promete se corrigir, mas não cumpre a promessa. Em seguida, o ciclo recomeça”, descreveu Ângela Lupo.

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