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Alexandre Schneider: Educação não é fotografia

O coordenador do conselho temático de Educação do Espaço Democrático descreve, em artigo, os avanços da rede municipal de ensino em SP.

06 de fev de 2012

Alexandre Schneider, secretário municipal de Educação de São Paulo

Retrospectivas e balanços são pertinentes aos fins e começos. Ainda que a vida não obedeça calendários, somos produto e consequência do tempo e a ele, deferentes, prestamos contas. No caso da gestão pública, a lógica é a mesma.

A cada começo de ano somos reapresentados ao retrato do país e das cidades. Projetos, serviços e equipamentos públicos são avaliados e uma enxurrada de números se apresenta para embasar as análises propostas. Ainda que o registro seja necessário, precisamos, afinal, compreender de que forma as novas políticas nos afetam. É também fundamental considerar como e por que a dita “numerologia” administrativa varia de forma, por vezes, tão desigual.

Em 2006, não havia na Secretaria da Educação nenhum dado sobre a espera por vaga em creche. Optamos por um sistema informatizado, aberto, que obedece a ordem de inscrição e que, portanto, gera uma “fila”. Escolhemos a transparência.

Hoje é possível que uma mãe saiba em que posição seu filho está na fila. E que a sociedade acompanhe a evolução do atendimento à demanda. São Paulo mais do que dobrou o número de vagas em creche nos últimos sete anos.

Com 48% das crianças em idade de creche atendidas, a cidade está próxima, em 2012, de cumprir a meta estabelecida pelo MEC para 2020. No caso da pré-escola, também temos bons resultados e estamos próximos do atendimento integral à demanda. Mas, certamente, em março teremos outros dados. São Paulo não é um retrato. As pessoas se movimentam. E modificam a cidade.

Cabe, assim, ao poder público identificar e acompanhar esse movimento. O caso dos CEUs (Centros Educacionais Unificados) é um bom exemplo. Quando assumimos, existiam 21 unidades. Hoje são 45.

Mais do que atender o dobro de crianças, os CEUs fazem parte do calendário cultural de São Paulo. A periferia da cidade recebe uma variedade muito maior de shows, filmes, peças e campeonatos esportivos. Artistas locais se revezam com grandes nomes do teatro e da música, levando às comunidades da periferia algo antes restrito aos moradores das regiões centrais. Sem contar os milhares de alunos que diariamente frequentam cursos de música, iniciação artística e cursos técnicos.

O CEU não é o único exemplo. Temos o programa Inclui, pioneiro no Brasil, que garante a alunos com deficiência e suas famílias suporte e assistência integral nas nossas unidades. Derrubamos as escolas de lata, enfrentamos o chamado “turno da fome”, valorizamos os profissionais. O piso salarial mais do que dobrou em cinco anos.

Hoje a rede municipal conta com currículo, materiais de apoio e programas de recuperação que garantem a melhoria do processo de aprendizado dos alunos, verificada a partir de exames externos, como a Prova São Paulo, criada pela prefeitura em 2007.

Com uma hora a mais de aula, foi possível incluir as disciplinas de educação artística, educação física, leitura e tecnologia de informação, algo que antes só acontecia nas escolas privadas. O mesmo com o inglês, que passou a ser disciplina obrigatória.

Nossos diretores têm melhor estrutura em suas escolas e nosso plano de obras prevê para 2012 mais de cem novos prédios para suprir as demandas ainda existentes em certas regiões da capital.

Todos os dias, milhares de servidores públicos, nos dirigimos às nossas unidades com o objetivo de servir aos nossos alunos e suas famílias.

Para eles, trabalhamos para construir e oferecer mais que um mero retrato.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 6 de fevereiro de 2012.

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