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Alexandre Schneider: “Sobre parcerias e lealdades”

Ex-secretário municipal de educação rebate críticas e, em artigo, comenta os avanços da cidade na educação: "Não há fragilidades ou inconsistência de dados. Temos hoje o cadastro mais completo do país."

01 de abr de 2013

Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de educação e coordenador do conselho temático de Educação do Espaço Democrático.

Não há inconsistência de dados sobre vagas de creches na cidade de São Paulo. Temos hoje o cadastro mais completo do país

Ter sempre as informações corretas, confirmar suspeitas e eliminar dúvidas: todo executivo maduro e consequente sabe que tem de seguir essas regras básicas para preservar sua empresa. Na administração pública, tais cuidados são vitais. Evitam injustiças e impropriedades.

Embora entendendo que em início de gestão tal comportamento possa refletir apenas insegurança, vejo-me obrigado a esclarecer críticas equivocadas do secretário municipal de Educação, Cesar Callegari.

São incorretas suas conclusões expostas na mídia sobre vagas em creches. Não há fragilidades, ou inconsistência de dados. Temos hoje o cadastro mais completo do país. Quando chegamos, tudo era anotado em cadernos e papeizinhos. Hoje, a fila para creches está na internet, transparente.

Mesmo tendo recebido há cinco meses todas as informações sobre o plano de obras e estar no terceiro mês de gestão, Callegari culpa a administração anterior por alunos estarem em escolas que ainda não foram entregues. E chega ao paroxismo de reclamar por ter recebido contratos de obras já assinados e terrenos com desapropriação iniciada para 92 novas escolas!

Ao prometer “reformas profundas”, Callegari pode acabar atingindo não os antigos ocupantes dos cargos, mas os profissionais da educação e os alunos.

A gestão Serra/Kassab criou novos programas educacionais, como é o da inclusão de alunos com deficiência (Inclui), inédito no país, e a Prova São Paulo, avaliação anual voltada ao trabalho em sala de aula. Construiu um currículo para todas as áreas de conhecimento.

Melhorou políticas de governos anteriores, ao duplicar e dinamizar as atividades dos CEUs, ao tornar obrigatórias as atividades de leitura e informática implantadas por Covas e Erundina, ao transformar o projeto de rádios escolares de Marta na criação de agências de notícias, dentre outros.

Os novos programas pedagógicos (Currículo, Ler e Escrever, Cadernos de Apoio, Inclui) foram desenvolvidos e implantados respeitando a história da rede pública. O Ler e Escrever, programa de alfabetização utilizado também na rede estadual e em centenas de redes municipais de ensino, a custo zero, que Callegari promete extinguir, foi implantado em 2006, com metodologia desenvolvida por especialistas renomados e profissionais da rede pública.

Políticas públicas são incrementais, podem e devem ser avaliadas e melhoradas, como aconteceu nas três últimas décadas na educaçãoem São Paulo. Quando PauloFreire implantou a primeira sala de informática no início da década de 90, talvez não imaginasse que não se restringiria apenas a uma sala, mas viesse a ser ferramenta, tecnologia de uso intensivo na aprendizagem.

É triste que, à revelia do posicionamento do prefeito Haddad, alguns auxiliares politizem o enfrentamento de problemas, buscando culpados onde encontraram muito trabalho e boa vontade na transição.

Os problemas de São Paulo eram, são e continuarão grandes. Em todas as frentes. Seu enfrentamento corajoso não comporta pequenezas. Nossa cidade tem papel fundamental a desempenhar no cenário político, econômico e social que se avizinha, para ajudar o Brasil. Para isso, parcerias e lealdades são indispensáveis. Assim como alianças maduras e responsáveis.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 29 de março de 2013.

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