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Aloysio Azevedo: ‘Dilma está certa!’

O Brasil e o mundo espionado podem e devem ajudar o presidente Obama, desde que ele retome os fundamentos sobre os quais se ergueram os EUA admirados do passado, diz, em artigo, o conselheiro do Espaço Democrático.

19 de set de 2013

Aloysio Azevedo, cientista político e conselheiro do Espaço Democrático.

A Perestroika foi a proposta que Gorbachev instituiu para mudar o decadente sistema econômico soviético, mas que acabou despertando as forças produtivas e políticas renovadoras, represadas há muito pela ditadura. Resultado: o governo perdeu o controle da situação, ocasionando o colapso do regime.

A imagem dos EUA vive momento semelhante, impactada por diversas tragédias e projetos fracassados!… O atentado ao Word Trade Center, a farsa iraquiana, a armadilha afegã, a persistente crise econômica, a espionagem ilegal de parceiros (incluindo o Brasil!) e, finalmente, a ideia desastrada de invadir a Síria, que contrariou inclusive o Congresso e o público americanos, cansados de guerras onerosas. Obama perdeu o controle da situação e teve que  aceitar a proposta apaziguadora do primeiro ministro russo, Putin, apoiada por Assad, que advoga o controle das armas químicas pela ONU.  

Fragilizado como está, será que o presidente Obama conseguirá resolver o imbróglio aprontado pelo espião Snowden, sem a ajuda dos seus parceiros agredidos? Não creio. Nesta nova governança global, que se anuncia compartilhada, ele vai precisar do presidente Putin novamente, pois notícias adversas poderão surgir do “traidor agente da CIA”, homiziado na Rússia, precariamente. E vai precisar do Brasil, como indica o adiamento consensual da “pomposa” visita brasileira, marcada para o fim deste ano.

Desconsiderando a reconhecida prepotência americana, sinalizada pela cor vermelha nas linhas limites de suas ações diplomáticas, o presidente Obama tem dívidas com nossa diplomacia de linhas amarelas, a começar com a maneira fidalga como cobramos a multa que impusemos aos EUA no contencioso do algodão, na OMC. 

Em 2002, um dos nossos profissionais, José Maurício Bustami, chefiava a OPAQ – Organização para a Proibição de Armas Químicas da ONU. Gestor reconhecidamente competente, iniciava a inspeção no Iraque de Saddam Hussein, quando foi demitido por pressão dos EUA, que precisavam mentir sobre a existência das armas e justificar a invasão. Deu no que deu!

Em 2010, Obama incentivou o Brasil e a Turquia a negociar o controle das pesquisas nucleares do Irã. Mas, alguma pedra surgiu no meio do caminho e ele deu pra trás, repentinamente, causando uma retirada vexaminosa dos seus parceiros! Após o  desastre sírio, o presidente americano teria falado com o primeiro ministro iraniano (?!). Arrependido?…

Sim, a presidente Dilma está certa! O Brasil e o mundo espionado podem e devem ajudar o presidente Obama, desde que ele retome os fundamentos sobre os quais se ergueram os EUA admirados do passado. 

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