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Henrique Meirelles: ‘Como vencer no trabalho’

Assim como venceu a batalha pela estabilidade econômica e empregou milhões de pessoas, o Brasil pode e precisa vencer a batalha do trabalho, que é a revolução da produtividade, diz, em artigo, o ex-presidente do Banco Central.

05 de maio de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central. 

Participei de seminário de uma confederação de trabalhadores para celebrar o 1°de Maio focado em temas como produtividade, crescimento econômico e o papel do trabalhador na economia hoje. Uma celebração eficaz na defesa dos interesses dos trabalhadores e também de toda a sociedade.

A grande diversidade econômica e cultural do Brasil dificulta a compreensão do país. Como na piada que li outro dia, que diz que a meta nacional seria nenhum brasileiro mais precisar trabalhar, todos pendurados nas tetas do Estado. Embora essa cultura possa prevalecer em alguns setores, não é um traço nacional.

De fato, enfrentamos o desafio da produtividade. O vigoroso crescimento da década passada, com aumento da classe média de 66 milhões de pessoas em 2002 para 120 milhões em 2014, gerou uma demanda não atendida por investimentos em produtividade, particularmente os feitos em infraestrutura. Já o crescimento acelerado do emprego sem oferta de treinamento na mesma dimensão significa falta de incentivo e baixa qualificação em parte da mão de obra.

Mas existe uma massa enorme de profissionais produtivos e laboriosos de todas as classes espalhada pelo país. Com educação, treinamento e condições de desenvolvimento, eles rivalizam com trabalhadores de qualquer nação. A indústria aeronáutica e o agronegócio provam esse potencial.

Na aeronáutica, tudo começou no Vale do Paraíba (SP) com o Centro Técnico Aeroespacial e o ITA, uma escola de engenharia de excelência internacional. De lá saiu a Embraer, que, depois de privatizada, tornou-se líder global justamente por estar em região com infraestrutura e profissionais qualificados no setor. É o conceito de “cluster”, como no Vale do Silício, que se tornou berço tecnológico global reunindo escolas, infraestrutura e mão de obra altamente qualificadas.

Na agropecuária brasileira, a Embrapa iniciou décadas atrás pesquisas seminais para desenvolver a produção agrícola no cerrado com especialistas formados em escolas de alto nível como Esalq, Viçosa e outras.

Agricultores experientes do sul do país em busca de terras e oportunidades no Centro-Oeste usaram essa tecnologia nova para revolucionar a economia brasileira e a agricultura tropical no mundo.

Agricultura e aeronáutica exemplificam o desempenho de trabalhadores brasileiros mesmo enfrentando as difíceis condições de transporte, saúde e segurança que atrapalham todos os setores.

Assim como venceu a batalha pela estabilidade econômica e empregou milhões de pessoas, o Brasil pode e precisa vencer a batalha do trabalho, que é a revolução da produtividade.

O sucesso da aeronáutica e da agropecuária prova que os brasileiros são capazes de liderar mercados altamente competitivos.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 4 de maio de 2014

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