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Eduardo Sciarra: ‘Pensando além da Copa do Mundo’

Em artigo, ex-líder do PSD diz que Brasil precisa aprender com seus erros para organizar a Copa do Mundo e resolver as dificuldades burocráticas e políticas que impedem o crescimento do país.

13 de jun de 2014

Eduardo Sciarra, deputado federal (PSD-PR) e ex-líder do partido na Câmara

A escolha do Brasil, em 2007, para sediar a Copa do Mundo foi recebida como prova do prestígio do novo Brasil. Surgia extraordinária oportunidade para comprovar ao mundo que estávamos preparados para assumir o merecido protagonismo entre as nações mais desenvolvidas. Os bilionários investimentos na infraestrutura transformariam o país num canteiro de obras e consolidariam o crescimento da economia.

Infelizmente, as coisas não andaram como se esperava. Foi mais forte a realidade de um país travado por uma burocracia insana, de instâncias decisórias múltiplas e contraditórias e do elevado custo Brasil, que não só atrasaram o cronograma das obras como inviabilizaram parte delas. Pior, o seu custo explodiu. A esperada festa de dimensões planetárias se revelou uma sucessão de oportunidades perdidas.

O descontentamento com o absurdo custo da construção dos estádios em contraste com a situação calamitosa dos serviços públicos básicos levou a um desânimo geral e à falta de apoio popular à realização da Copa. Alguns analistas estrangeiros viram neste episódio uma prova de que o Brasil mudou para melhor. Finalmente, o brasileiro demonstra consciência das reais prioridades do país e não mais aceita passivamente certas decisões populistas.

Felizmente, em que pese algumas reportagens negativas na imprensa internacional, para milhares de aficionados por futebol mundo afora assistir a jogos da Copa do Mundo e no Brasil vale qualquer risco ou sacrifício.

A esta altura, gostemos ou não, a Copa ocorrerá. Seguramente será uma magnífica festa e os olhos do mundo já se voltam para o Brasil. Há de se ter bom senso e pragmatismo. Nem tudo que se desejava foi construído, mas não há razão para não se procurar extrair o máximo de benefícios para o país. Acima de qualquer posição política, devemos contribuir para realizar um grande evento e tirar proveito, com criatividade, de tudo o que já está pronto.

A exemplo do que ocorreu na África do Sul, o setor de turismo e serviços certamente terá grande impulso, consolidando o Brasil como importante destino internacional. São benefícios que se estendem no tempo e que crescerão no futuro, se agirmos com competência e profissionalismo agora. O turismo tem grande repercussão sobre os outros setores econômicos.

Turistas e torcedores devem ser bem recebidos, tratados com urbanidade, fazendo jus à nossa fama de povo hospitaleiro e alegre. Não terão apoio popular atos e protestos violentos feitos por radicais de variados matizes. Da mesma forma, não é racional que partidos, da base do governo ou da oposição, tentem obter vantagens políticas, pois já está provado que Copa do Mundo não tem influência sobre os resultados das eleições.

Por último, devemos aprender com os erros cometidos. Afinal, foram sete anos para organizar o evento. É preciso averiguar com profundidade as razões de tanto atraso na conclusão das obras e as causas de tão grande discrepância entre o custo planejado e o efetivo, além de punir eventuais desvios de recursos.

É urgente rever profundamente procedimentos, métodos de gestão, bem como a relação entre os diversos órgãos de governo e entre as três instâncias da federação, definindo com clareza o papel de cada um. Não dá para continuar como está. O país deve se desvencilhar deste emaranhado burocrático e político que dificulta e encarece a realização e construção das obras necessárias ao seu desenvolvimento.

Artigo publicado na Gazeta do Povo em 11 de junho de 2014.

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