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Gilberto Kassab: Esperanças e certezas “paulistaneiras”

Ministro das Cidades escreve sobre a São Paulo que comandou por 7 anos no dia do seu aniversário. "A verdade é que o paulistano nasceu predestinado a construir muito mais do que a maior cidade da América do Sul."

25 de jan de 2016

Gilberto Kassab é ministro das Cidades. Foi prefeito de São Paulo entre 2006 e 2012.

Testemunha do nascimento de São Paulo, a parede de taipa de uma capela segue firme, de pé, no Pateo do Collegio, centro da capital paulista. Há 462 anos, numa missa, lá estava ela ao lado de outras, abrigando missionários jesuítas, indígenas e europeus unidos para fundar uma vila. São Paulo surgiu assim, de uma prece.

Mas que ninguém se iludisse, seus fundadores já traziam antes de subir a Serra do Mar uma alma desbravadora; se embrenhariam pelo sertão em incursões e conquistas. Pés fincados no planalto, iriam à luta.

A verdade é que o paulistano nasceu predestinado a construir muito mais do que a maior cidade da América do Sul. Nasceu plural, indígena, africano, italiano, português, espanhol, polonês, japonês, sírio, árabe, judeu, chinês, e se foi fraternalmente multiplicando baiano, pernambucano, cearense, mineiro, nordestino, nortista, gaúcho, paranaense. Compartilhando amizade, desafios, alegrias e energia.

Somos cada um e todos em cada esquina, em cada cantina do Brás, nas pizzarias da Mooca, praças e parques, do espigão da Paulista ao pico do Jaraguá. Saudosos de uma garoa fina e distante, somos agora aliados contra uma crise hídrica ameaçadora. Somos cada um e muitos, fraternos e resistentes, presentes na arena da luta de todos por uma cidade e um país melhores.

Neste aniversário, novamente somos maiores do que tudo isso que aí está, preocupante e difícil, mas passageiro; complexo e desafiador, mas superável, transponível. Estamos irmanados. Não só para nos desejarmos parabéns.

Somos grandes porque estaremos próximos, mais amadurecidos pelos embates, de braços dados nas ruas, nas linhas de produção, empreendedores de nossos pequenos negócios, no conforto de casas que construiremos com nosso suor, que conquistaremos votando para seguir diminuindo a desigualdade que humilha e a pobreza que nos afronta.

Somos grandes porque avançamos sem medo. Gritamos nossa independência no Ipiranga, caímos vencidos numa luta constitucionalista fratricida, penosa e doída, fomos participar de guerras lá fora. E vencemos outras, lotando praças e entoando canções, gritando refrões, slogans, enfrentando prisões.

Eu tinha quatro anos em 64, 25 na redemocratização, um universitário na praça. Entrei na vida pública, participei da primeira eleição presidencial após a ditadura, ao lado de Guilherme Afif. Vivemos a queda do muro de Berlim, temos a nossa Constituição Cidadã.

A São Paulo que agora aniversaria foi forjada não apenas para lutar, mas para resistir e vencer. Nasceu para criar e transformar, ser consenso e dissensão, campo de encontro, produção e trabalho. Cresceu consciente de que pode ir pela contramão de crises. E vencê-las.

Esta nossa brava São Paulo depende de fé, perseverança, disciplina, firmeza no leme de um barco que nos cabe manter em mar aberto e levar a porto seguro. É assim que sinto nossa cidade pulsar hoje, como foi ontem e como será sempre.

Assim a vejo, um ano após assumir um ministério com necessidades e sonhos de todas cidades do Brasil.

É assim que a vivo, preocupado com as almas inquietas, mãos calejadas, gente batalhadora que encontro toda semana por nosso país.

Desculpem-me sair hoje do roteiro dos cumprimentos formais. Permitam-me a divagação. Falo de sonhos, esperanças e certezas. Falo como um “paulistaneiro” (paulistano+brasileiro) diariamente estimulado, motivado e desafiado a enfrentar, resolver, encaminhar, criar e tentar saídas para problemas graves, urgentes, do tamanho de São Paulo. Enormes como o Brasil.

Avante, “paulistaneiros”!

  • Artigo publicado na edição de 25 de janeiro de 2016 da Folha de S. Paulo

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