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ARTIGO

Guilherme Afif: ‘Presidenciáveis, e os pequenos negócios?’

Tocam muito superficialmente na questão do empreendedorismo e não elencam como prioridade as microempresas, escreve o presidente do Sebrae

17 de ago de 2018

Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae Nacional e do Espaço Democrático

Agora que todas as candidaturas à Presidência foram registradas na Justiça Eleitoral e começamos a conhecer os programas de governo, podemos analisar melhor o que cada um tem a dizer sobre os grandes problemas nacionais.

Já surgiram sugestões sobre várias áreas, a maioria, no campo macroeconômico. Poucas propostas sobre o que eu chamo de economia real, o mundo em que vivem e sobrevivem os pequenos negócios.

Muitos tocam muito superficialmente na questão do empreendedorismo e nenhum elenca como prioridade as microempresas. Apenas um programa menciona estímulos específicos para o setor, como microcrédito, tratamento diferenciado, o Simples, a desburocratização e o cooperativismo.

Na verdade, gostaria que esta discussão viesse precedida pela definição de que País queremos. Mais Estado? Aonde ele deve estar presente? Em que proporção? Qual o papel de cada entidade da federação? E a livre iniciativa, como vai se encaixar neste novo Brasil?

Costumo desenvolver, nas minhas andanças, um raciocínio simples para responder a perguntas tão complexas. O que o município puder fazer melhor, que nem Estado e a União o façam. O que o Estado fizer melhor, que nem a União nem o município o façam. O que a União fizer melhor, que nenhuma das duas outras esferas se metam. E o que municípios, Estados e o Governo Federal não fizerem bem, que não atrapalhem quem está fazendo. Em outras palavras, deixem o empreendedor e a livre iniciativa trabalharem.

Se alguém ainda duvida, vou apresentar aqui alguns argumentos e números para mostrar como o empreendedorismo está sendo a grande saída para a crise econômica e de muitos problemas brasileiros. Aproximadamente 98% dos estabelecimentos empresariais existentes no País são pequenos. O Brasil ocupa o sétimo lugar entre os países que possuem a maior quantidade de empreendedores no mundo.

Nos últimos anos, apesar do fraco desempenho do PIB, a criação anual de novos registros de Microempreendedores Individuais manteve-se robusta, próximo à casa de 1 milhão de novos MEI por ano.

Mantido o ritmo de crescimento dessas empresas, é possível esperar que, até dezembro deste ano, o número de MEI chegue a 8,7 milhões e o total de Pequenos Negócios atinja a marca dos 13,6 milhões de empreendimentos. Na verdade, o número de pessoas envolvidas é muito maior se somarmos os funcionários e sócios dos pequenos negócios e a informalidade. O total chega a 45 milhões.

Nos primeiros seis meses deste ano, dados de levantamento do Sebrae, com base em números do Ministério do Trabalho, mostram que as empresas de micro e pequeno porte acumulam saldo positivo de 352 mil vagas, número 13 vezes maior do que o saldo verificado entre as médias e grandes corporações no mesmo período, que registraram saldo negativo de 12,8 mil empregos.

Em todo o Brasil, estima-se que existam cerca de 6 mil startups, que se caracterizam pela inovação do serviço produzido, geralmente de base tecnológica. O número é mais do que o dobro registrado há seis anos, quando o País ainda começava a discutir o modelo e a perceber o nascimento do novo mercado.

Neste ano, o País ganhou seus primeiros “unicórnios”, termo dado às startups que passam a valer mais de US$ 1 bilhão. O feito foi alcançado inicialmente por um aplicativo de transporte e uma fintech que virou banco, avaliado em mais de U$ 2 bilhões.

É por isso, senhores presidenciáveis, que vamos continuar cobrando que os pequenos negócios sejam inseridos cada vez mais no debate nacional. Basta lembrar da grandeza da soma dos pequenos.

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