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Guilherme Campos: “Água é coisa séria, seríssima!”

Em artigo, presidente em exercício do PSD afirma que a questão do abastecimento não é assunto para ser tratado apenas em momento de crise. "Faltou esse compromisso do governo", diz.

04 de mar de 2015

Guilherme Campos,  ex-líder e presidente interino do PSD

Não há como discordar do presidente estadual do PSDB, Duarte Nogueira, quando diz que água é coisa séria (Correio Popular 23/02/2015). Primeiro devo ressaltar que Duarte Nogueira, deputado federal eleito, hoje secretário de Logística e Transportes do governo do estado, foi um excelente parlamentar e, na minha opinião, foi o líder de bancada mais completo de seu partido na última legislatura. Um homem de partido e com todo o potencial para ter seu nome colocado na sucessão do atual governador Geraldo Alckmin.

Sua defesa do governo do estado é elogiosa, esperada e reitero suas palavras: água é coisa séria! Esse assunto me desperta atenção desde a época de estudante da Politécnica da USP quando conheci as represas do sistema Cantareira. Isso foi há bastante tempo, afinal estou com 52 anos. Promovi palestras na Associação Comercial de Campinas, quando era presidente, e posteriormente, já exercendo meu mandato de deputado federal, contribuí para a articulação de uma emenda da bancada paulista de R$ 23 milhões para ampliar a vazão dos túneis do Cantareira em benefício da bacia da região de Campinas. Essa emenda seria liberada em 2010, caso o governo do estado a aceitasse, mas não obtivemos resposta.

A primeira vez que levantei publicamente a questão do racionamento foi em fevereiro do ano passado. Nesta época, você deve se lembrar, o nosso partido, o PSD, caminhava para uma coligação com o PSDB para as eleições estaduais. Isso comprova que meus argumentos eram livres de “paixões político-partidárias”. Também mantenho o foco na questão técnica e qualquer pessoa que acessar no site da Sabesp vai ver o seguinte histórico de armazenamento: março 76,70% (2012), 57% (2013), 16,25% (2014) maio 73,43% (2012), 62,79% (2013) 10,20% (2014), julho 75,52% (2012), 56,52% (2013), 20,08% (2014 primeiro volume morto) setembro 68,14% (2012), 47,08% (2013) e 10,54% (2014).

Será que esses dados, anteriores à estiagem severa de 2014, já não eram suficientes para despertar medidas preventivas? Na primeira audiência pública realizada na Câmara dos Deputados a meu pedido sobre a crise hídrica, o estado mandou representantes de escalões inferiores para participar. Na segunda, em novembro de 2014 com a crise instalada, foram convidados novamente Sabesp, DAEE, Secretaria de Recursos Hídricos e outros, mas ninguém apareceu. Entre os deputados, absolutamente nenhum da bancada do PSDB esteve presente nas duas reuniões. Seria uma boa oportunidade para apresentar os dados técnicos e tranquilizar a todos sobre as ações do governo do estado que o secretário diz que estão ocorrendo.

Em 2001, quando os reservatórios estavam com 30% da capacidade e especialistas alertavam para o colapso no fornecimento de energia elétrica no país, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, implantou o racionamento que durou nove meses. A privação marcou o governo FHC, que sofreu um grande impacto político e eleitoral, mas apesar de todo o desgaste de imagem, o então presidente teve uma atitude responsável, de um verdadeiro estadista, que nos garantiu o fornecimento nos anos seguintes.

Enfim, o assunto deve ser tratado com a devida seriedade sempre, não só em momentos de crise. Faltou esse compromisso do governo do estado, que falhou, insiste em não assumir o erro e macula uma relação de transparência e verdade com a população. Falei várias vezes que estamos à beira de um colapso e reitero o que afirmei à ex-presidente da Sabesp, Dilma Pena, no ano passado: nunca torci tanto para estar errado.

Artigo publicado no jornal Correio Popular em 4 de março de 2015.

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