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Henrique Meirelles: ‘A visão de fora’

Em artigo, ex-presidente do BC aponta que, apesar dos avanços da estabilidade econômica, o Brasil ainda precisa investir em produtividade, elevando a competitividade das empresas e do país.

08 de set de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central

O Brasil caiu ainda mais no ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial, passando da 55ª para a 56ª posição entre 144 países. A queda foi atribuída a progressos insuficientes na solução de problemas de infraestrutura, com aumento das preocupações com a eficiência do governo, a instabilidade das regras e o funcionamento das instituições.

A questão do baixo crescimento com inflação mais elevada também pesou, assim como problemas estruturais –um dos mais agudos, a baixa qualidade da educação. Apesar do aumento nos investimentos, no número de estudantes e nos anos de escolaridade média, o estudo concluiu que o sistema educacional brasileiro não está formando trabalhadores com capacidade necessária para progredirmos em direção à economia do conhecimento, que agrega mais valor e paga salários melhores, elevando o padrão de vida da população.

O relatório reconhece que o Brasil teve avanços importantes devido aos progressos na década passada, particularmente o aumento dramático do mercado doméstico e do emprego conjugado à qualidade e ao tamanho de nossas empresas, com setores de excelência em inovação e pesquisa.

Mas, como o índice revela, a competitividade é uma disputa global, e mais do que nos compararmos com nós mesmos, é preciso entender e, na medida possível, assimilar as lições dos líderes.

A Suíça lidera o ranking e, embora o Brasil tropical seja muito diferente do país alpino, podemos aprender com seu sucesso. Além da alta qualidade da educação, dos grandes investimentos em pesquisa e da sofisticação das empresas, o estudo ressalta a legislação trabalhista suíça, que assegura equilíbrio entre a proteção do direito dos trabalhadores e a eficiência das empresas, com regras simples e flexíveis. As instituições públicas estão entre as mais eficientes e transparentes, assegurando condições para o bom desempenho da economia.

Completam o quadro a excelente infraestrutura, a solidez macroeconômica com inflação baixa e, principalmente, a estabilidade de regras que garantem a confiança empresarial e o investimento. Cingapura, a segunda colocada, traz exemplos similares. São países pequenos, mas gigantes como EUA e Alemanha, que vêm em seguida, trilham caminho parecido.

O Brasil avançou na década passada impulsionado pelo bônus da estabilidade. Mas os resultados ruins do PIB e do ranking de competitividade –anunciados após o outro– são alertas esclarecedores. Para seguirmos avançando, é preciso, além de garantir a estabilidade, passar à era da produtividade, elevando a competitividade das empresas e do país.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 7 de setembro de 2014.

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