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Henrique Meirelles: ‘Crescimento e inclusão social’

Para o ex-presidente do BC, sistema de livre mercado com regulação eficiente pelo setor público gera maior eficiência na alocação de capitais e uma mobilização maior e mais eficaz de recursos da sociedade para geração de crescimento e empregos.

03 de nov de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central

Tem havido no Brasil debate intenso sobre o dilema entre uma política que garanta estabilidade e crescimento econômico versus uma política de investimentos em inclusão social.

Essas opções políticas passaram por soluções que vão do extremismo soviético com estatização completa da produção até um sistema de participação mínima do Estado na economia.

Na realidade, são duas questões diferentes conjugadas pelos diferentes polos ideológicos, o que reduz a clareza sobre elas. A primeira questão é a definição do melhor modelo econômico para o país crescer a taxas elevadas e gerar mais empregos – via estatização e maior intervenção do Estado ou via maior empreendedorismo e competição no setor privado. A segunda são os investimentos públicos em políticas de inclusão social (como Bolsa Família, Previdência Social e outros) versus investimentos visando o aumento da produção nacional.

São questões que ganharam clareza com a evolução do Estado de bem-estar social na Europa Ocidental e mais ainda após o colapso do bloco soviético.

Quanto à primeira questão, sobre modelo de desenvolvimento, não resta dúvida de que o sistema de livre mercado com regulação eficiente pelo setor público, que favoreça a competição e o empreendedorismo, gera maior eficiência na alocação de capitais e uma mobilização maior e mais eficaz de recursos da sociedade para geração de crescimento e empregos.

A segunda segue sendo questão política relevante hoje: como dividir a poupança nacional entre investimentos sociais visando maior igualdade e investimentos produtivos que visam maior ganho social a médio e longo prazo. E a maioria da população brasileira tem feito a opção por mais investimentos sociais para reduzir a desigualdade.

O Brasil tem experiência bem sucedida em crescer e reduzir a desigualdade no processo. No período que conheço melhor por ter participado diretamente, foram adotadas políticas de austeridade monetária e fiscal e reformas para o desenvolvimento dos mercados que geraram queda da dívida em relação ao PIB e estabilização da inflação na meta com crescimento econômico e criação de empregos.

Isso possibilitou a inclusão de 50 milhões de pessoas à classe média e a ascensão social em todas as camadas. O crescimento médio de 4% permitiu aumento da arrecadação que viabilizou mais investimentos sociais no Bolsa Família, na educação, na saúde.

Para melhor exercer a opção escolhida, portanto, devemos fazer os investimentos necessários em produtividade e consolidar a estabilidade. O crescimento viabilizará o continuado aumento do investimento social, como mostra nossa história recente.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 2 de novembro de 2014.

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