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Henrique Meirelles: ‘De volta para o futuro’

Em artigo, ex-presidente do BC elogia a escolha de Joaquim Levy como um dos integrantes da equipe econômica. "Levy é especialista em política fiscal, com perfil adequado ao presente momento".

30 de nov de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central

A implementação completa da mudança anunciada na última semana na política econômica pode fazer o Brasil voltar a crescer mais à frente.

O momento é de ajuste, e a escolha de Joaquim Levy como um dos integrantes da equipe econômica liderada pela presidente Dilma é oportuna. Levy é especialista em política fiscal, bem formado, com ideias corretas, participação importante no ajuste brasileiro de 2003 e perfil adequado ao presente momento deste governo.

O forte ajuste fiscal nos primeiros anos e a política monetária austera em todo o governo Lula resultaram em queda substancial da dívida pública e inflação controlada, garantindo a estabilidade econômica. Isso resultou no aumento do investimento e do crédito, em grande absorção da massa desempregada e crescimento médio acima de 4% ao ano.

O Brasil enfrentou a crise de 2008 com sucesso devido a medidas de força e precisão, só possíveis porque a economia estava robusta, em crescimento, com dívida pública reduzida e inédita acumulação de reservas.

Apesar do alto crescimento daquele período, houve combate sistemático à política econômica por setores do pensamento econômico, político e do próprio governo. Defendiam abordagem oposta, argumentando que mais gasto público, certa leniência com a inflação e depreciação voluntarista do câmbio trariam crescimento maior e que as políticas adotadas, principalmente pelo Banco Central, impediam o país de exercer todo o seu potencial.

Quando, a partir de 2011, aplicou-se nova matriz, propondo juros mais baixos, expansão de gastos e tentativa de controle cambial, o resultado foi o esperado, apesar da surpresa de muitos: baixo crescimento, queda nas exportações e na competitividade, perda de poder aquisitivo pela inflação e trajetória fiscal insustentável.

Diante das preocupações de que o país retrocedia, eu dizia que há sempre fator positivo em experiência que dá errado: mostrar que ela não funciona.

O combate tão forte à política econômica bem sucedida da década anterior mostrava que o receituário alternativo seria inevitável no Brasil. Felizmente, ele não foi aplicado em 2003, quando a economia era muito frágil e causaria desastre de grandes proporções.

Mas, a partir de2011, aexperiência encontrou o Brasil fortalecido, em condições de resistir, com reservas elevadas, situação fiscal sólida, mercado doméstico robusto, sistema financeiro saudável, empresas fortes.

Para voltarmos a crescer, a proposta de mudança visando consertar os desequilíbrios construídos nos últimos anos tem grandes méritos, desde que executada integralmente.

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