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Henrique Meirelles: ‘Desatando o nó’

Para o ex-presidente do BC, a expansão impressionante do mercado de consumo brasileiro não tem sido acompanhada nos últimos anos de crescimento compatível do investimento em produtividade e infraestrutura, e este é um nó a ser desatado.

23 de fev de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central. 

Para administrar com sucesso uma organização atualmente – no setor público ou privado –, é necessário conhecimento preciso dos ambientes interno e externo.

O Brasil precisa aumentar muito o nível de investimento na economia, particularmente em produtividade e infraestrutura. Essas deficiências de oferta são também grandes oportunidades.

A boa notícia é que existem recursos disponíveis no mundo. A má notícia é que, com a recuperação de Estados Unidos e Europa, há cada vez mais projetos atraentes competindo pelos investimentos.

Temos vantagens competitivas que, bem usadas, podem gerar boom de investimentos no Brasil nos próximos anos. Para formular políticas nesse sentido, é preciso não só entender o que viabiliza os investimentos diretos das empresas, mas também entender os fluxos de capital e seus administradores.

Esse mercado não é feito só de grandes investidores ou bancos. Lembro-me de uma manifestação furiosa na Itália, pouco depois do calote argentino, na qual um grupo grande de pessoas protestava diante de um banco que tinha lhes vendido papéis daquele país. Eram todos de classe média, muito diferentes da imagem de tubarões do mercado internacional.

A realidade do mercado, portanto, difere bastante da visão de alguns. Ele é formado por milhões de investidores no mundo inteiro que aplicam numa variedade de fundos geridos por profissionais com a responsabilidade fiduciária de cuidar bem dos recursos e a obrigação de analisar e escolher os investimentos com melhores riscos e retorno.

Existem grandes investidores? Sim. Mas eles operam em parâmetros muito similares aos dos pequenos. Um dos grandes investidores do mercado mundial, por exemplo, é o Banco Central do Brasil, gestor das reservas internacionais do país. Imagine se os funcionários encarregados da sua gestão resolvessem ser “bonzinhos” e ajudar nações amigas, comprando títulos de países em dificuldades. Os prejuízos seriam, em última análise, pagos pela população brasileira.

Felizmente, esse não é o caso. O Banco Central do Brasil tem critérios extremamente rigorosos na análise de crédito, com uma carteira de papéis de primeira qualidade dos governos de maior solidez e capacidade de pagamento.

A expansão impressionante do mercado de consumo brasileiro não tem sido acompanhada nos últimos anos de crescimento compatível do investimento em produtividade e infraestrutura. Esse é o nó górdio do nosso desenvolvimento. Para desatá-lo, é preciso conhecer e usar os mercados. E formular políticas que gerem risco e retorno que viabilizem investimentos.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 23 de fevereiro de 2014.

Para acessá-lo clique aqui.

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