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Henrique Meirelles: ‘Fórmula do sucesso’

Em artigo, ex-presidente do Banco Central elogia o modelo do agronegócio brasileiro, que se desenvolve baseado no empreendedorismo e na livre competição, e onde prevalecem os mais capazes de atender à demanda concreta e crescente do mundo todo.

10 de fev de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central. 

O que têm em comum empresas como Facebook e Google com o agronegócio brasileiro? Aparentemente, pouco.

A rede social que completou dez anos nesta semana atingiu valor de mercado de US$ 160 bilhões; o Google, 16 anos, mais de US$ 380 bilhões. Essas jovens gigantes estão entre as empresas mais valiosas do mundo. Surgiram e se desenvolvem de maneira rápida nos centros urbanos sofisticados da Costa Oeste americana, com ambiente de negócios, mercado de capitais e mão de obra de alta qualidade.

Já o agronegócio brasileiro domina a produção mais antiga da humanidade, a de alimentos. Ele ocupa áreas crescentes do interior do país, com produção diversificada e pulverizada, operando num ambiente de negócios desafiador.

Mas uma análise cuidadosa mostra similaridades importantes. Em primeiro lugar, são duas forças impulsionadoras da economia neste momento, que avançam com a globalização e aproveitam vantagens competitivas para atender à crescente demanda mundial por tecnologia e alimentos. Segunda característica comum é o empreendedorismo e o caráter essencialmente privado dessas indústrias, com o incentivo governamental concentrado, corretamente, no desenvolvimento tecnológico.

O impulso para a indústria de alta tecnologia americana foi baseado em pesquisas científicas financiadas pelo governo e instituições do país, como o Media Lab do MIT, um dos berços da internet. Já a expansão do agronegócio brasileiro se deu com avanços tecnológicos decisivos e impressionantes efetuados pela Embrapa ao longo de décadas.

A partir desses impulsos, ambas as indústrias se desenvolvem baseadas no empreendedorismo e na livre competição, onde prevalecem, entre milhares de empresas, as mais capazes de atender à demanda concreta e crescente do mundo todo por seus produtos –sejam redes sociais ou proteína animal.

Aspectos básicos dessas duas indústrias são a falta de regulação restritiva e a liberdade para o empreendedor criar e competir. As regras devem ser específicas como a proteção ao meio ambiente no agronegócio e à privacidade nas redes sociais. O agronegócio brasileiro enfrenta ainda a importante restrição do custo do transporte, que começa a ser enfrentada pela licitação de rodovias.

Os exemplos dessas duas indústrias, aparentemente tão distantes, mas com tantas similaridades, devem ser não apenas emulados, mas analisados com cuidado para que políticas governamentais possam ser aplicadas também com sucesso em outros setores, como ocorreu no setor aeronáutico brasileiro.

Com essa fórmula, poderemos desenvolver no país outros segmentos tão competitivos quanto o agronegócio.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 9 de fevereiro de 2014.

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