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Henrique Meirelles: ‘Mapa-múndi’

Em artigo, ex-presidente do BC analisa os vetores de crescimento mundial tradicionais (EUA, Reino Unido e Alemanha, além de China e Japão), cujo quadro volátil apresenta desdobramentos que devem ser monitorados.

02 de maio de 2016

Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e colaborador do Espaço Democrático

A disponibilidade de recursos no mundo hoje ainda é relevante, e o Brasil deve o quanto antes aproveitar as oportunidades da conjuntura internacional para apoiar a retomada da economia.

Os mercados têm apresentado volatilidade considerável. De um lado, a consolidação da recuperação dos EUA causou recuperação expressiva dos preços dos ativos do país. De outro, dúvidas estruturais sobre a evolução da atividade na China reduziram preços de commodities e outros ativos globais.

A China iniciou há algum tempo um processo de diversificação de sua base de crescimento – de uma política voltada a custos baixos e exportação para ênfase maior no mercado interno –, que tem enfrentado dificuldades. Ao longo dos últimos meses, Pequim deu sinais contraditórios que preocuparam analistas, com anúncios de grandes investimentos em meio a alta expressiva das dívidas públicas e privadas. Os mais pessimistas creem que o país possa caminhar para crise de endividamento similar à dos EUA em 2007/08. Dados mais recentes apontam para crescimento menor, mas sustentável, o que contribuiu para acalmar os mercados.

Já os EUA divulgaram dados de crescimento mais fracos, mas não o suficiente para abalar a recuperação. O mercado de trabalho segue melhorando, e a economia dá sinais de vitalidade. Questão importante é saber quanto risco o Fed (BC do país) tomará antes de subir juros na medida em que a inflação ainda não tornou essa decisão inevitável. Comunicado do Fed após a reunião da semana passada não trouxe novidades, mantendo a expectativa de alta moderada dos juros ainda este ano.

Mas o evento nos EUA com maior impacto potencial são as eleições. Se Donald Trump vencer a convenção republicana e ameaçar Hillary Clinton nas pesquisas, suas posições voláteis e radicais podem conturbar mais o cenário.

No lado europeu, o foco do curto prazo é a votação no Reino Unido sobre a permanência na União Europeia, em 23/6. Ela será determinante para o processo, até aqui crescente, de integração continental e pode também trazer volatilidade.

Já o Japão segue com economia relativamente estagnada e frustrou expectativas de que injetaria mais recursos na economia.

Em resumo, a economia mundial avança em ritmo moderado, com vetores de crescimento tradicionais (EUA, Reino Unido e Alemanha) mantendo força, a China mais instável e o Japão com dificuldades de sustentar o crescimento.

É um quadro volátil cujos desdobramentos devem ser monitorados e, na medida do possível, antecipados, principalmente pela possibilidade de reduzirem a oferta de recursos na economia mundial que o Brasil tanto necessitará para ajudar a financiar a recuperação.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 1º de maio de 2016.

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