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Henrique Meirelles: “O resultado é a chave”

O ex-presidente do Banco Central descreve um encontro com investidores e sua surpresa com o pessimismo em relação ao País. “Apesar das mudanças, permanece o descrédito”.

12 de jan de 2015

 Henrique Meirelles, coordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central

Participei na semana passada de encontro com grande grupo de investidores, brasileiros e internacionais, e fiquei surpreso com o nível de pessimismo generalizado em relação ao Brasil.

Apesar das mudanças na equipe econômica, das medidas já anunciadas de reajuste fiscal e da anunciada disposição de controle da inflação, o ambiente geral permanece de descrédito e pessimismo.

A confiança se perde rapidamente e se ganha devagar. E para reconquistá-la é preciso principalmente mostrar resultados.

É necessário que a nova equipe econômica execute o plano delineado, aplique os remédios necessários integralmente, mesmo que amargos, e entregue os resultados de forma gradual, mas total.

Não há dúvida que o corte de despesas públicas, algum aumento de tributos e a elevação de taxa de juros pelo Banco Central conterão a atividade econômica.

O crescimento em 2015 continuará muito baixo.

Mas este é o momento do ajuste, e todos examinarão cuidadosamente a sua aplicação. Apesar de ser um ano difícil, é um ajuste viável que, a partir de seus resultados, poderá restabelecer a confiança na economia do país.

Essa confiança é absolutamente crucial para a retomada dos investimentos e do crescimento. E, mais importante ainda, para o aumento da produtividade da economia brasileira, indispensável para elevar a competitividade e trazer crescimento sustentável para o país.

Nossa competitividade internacional tende a melhorar devido à depreciação cambial, uma vez que o aumento do dólar barateia nossas exportações e encarece o que importamos. Esse ajuste cambial está vindo forçado pelo mercado, mas era inevitável em virtude da elevação dos custos da economia brasileira, particularmente de alguns custos de produção, como os custos do trabalho resultante da inflação mais elevada.

Mas por mais que o ajuste cambial aumente a competitividade no curto prazo, o crescimento sustentável virá por meio de investimentos em produtividade na economia. Investimentos que virão somente com a recuperação da confiança, que passa pela disposição de assumir os custos econômicos e políticos do ajuste fiscal e monetário.

Apesar de ter sido extremamente realista sobre os problemas dos últimos anos e suas consequências para a economia brasileira, minha palestra ao grupo de investidores foi considerada a mais positiva em relação à viabilidade de uma correção de rumo.

Talvez por ter participado do ajuste que possibilitou o crescimento da década passada, sei que existem condições de realizar nova correção com eficiência, desde que haja vontade política.

Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo em 11 de janeiro de 2015.

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