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Henrique Meirelles: ‘Partido da razão’

Para o ex-presidente do BC, após a decisão eleitoral, há agora um espaço enorme para acelerar o crescimento baseado nos investimentos, especialmente na infraestrutura. "Temos condições de aproveitar essa janela de oportunidade com alternativas atraentes de investimento".

26 de out de 2014

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central

A passionalidade e a superficialidade de boa parte das discussões político-econômicas no Brasil são naturalmente acentuadas na disputa eleitoral. Definido o resultado, é importante controlar a paixão e trazer o debate o mais perto possível da razão. Quanto mais racional e factual ele for, melhor para todos.

Isso não significa a busca do consenso. O consenso de certa maneira é uma ilusão. Um político britânico, questionado há muitos anos se existia consenso em seu governo, respondeu que não – havia acordo ou então prevalecia a visão da maioria, que é a essência da democracia. Como no Brasil, apesar das críticas.

Enfrentamos desafios importantes. Saímos de um ciclo de crescimento acelerado ocorrido de 2003 a 2010, impulsionado pela estabilização econômica, pela disponibilidade de mão de obra, e pelo aumento da previsibilidade, que gerou aumento do crédito e do investimento.

Vivemos hoje um novo ciclo, com contenção de investimentos e com a demanda internacional reduzida, o que gera novos desafios.

Há, porém, um espaço enorme para acelerar o crescimento baseado nos investimentos, especialmente na infraestrutura, dada a demanda não atendida por transporte, energia e serviços que a gigantesca classe média incorporada ao mercado de consumo propicia.

Existem recursos disponíveis no mundo para isso devido à falta de boas oportunidades para investimentos que resulta da baixa demanda global. Temos condições de aproveitar essa janela de oportunidade com alternativas atraentes de investimento. Para atraí-los, serão necessários direcionamento claro, previsibilidade nos fundamentos econômicos e nas regras do jogo além de inflação na meta e dívida pública cadente.

Há vantagens em não haver consenso. Oposição é fundamental na democracia para promover um debate racional que vise soluções benéficas a todos. A polarização e a mobilização em torno dos candidatos e das propostas devem ser agora canalizadas para gerar salto de qualidade do debate público.

Os que defendem maior participação estatal na economia só obscurecem o debate quando acusam os de visão diferente de quererem destruir o governo para por o mercado no lugar. O mesmo ocorre quando os que defendem maior competição e liberdade para empreender acusam os defensores de maior ação governamental de planejarem a destruição do setor privado.

O Brasil já cresceu e evoluiu bastante. Que essa grande mobilização do processo eleitoral resulte positiva e produtiva, com maior participação no debate público e no processo democrático.

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