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Henrique Meirelles: “Revolução nos EUA e no Brasil”

Em artigo, o ex-presidente do BC explica por que a agricultura brasileira e a exploração do gás de xisto nos EUA são modelos a serem seguidos.

29 de abr de 2013

Henrique Meirellescoordenador do Conselho de Política Econômica do Espaço Democrático e ex-presidente do Banco Central

Os dois modelos econômicos de sucesso relacionados aos recursos naturais são o gás de xisto nos EUA e a agropecuária brasileira. É importante analisarmos as razões desse sucesso e suas similaridades.

O óleo de xisto, impregnado no xisto betuminoso, tinha uma exploração difícil, antieconômica e tecnologicamente complicada. O desenvolvimento de um modelo de exploração viável só foi possível por característica básica da estrutura fundiária americana: o proprietário do solo é o proprietário dos recursos minerais do subsolo.

Isso fez com que milhares de proprietários se dedicassem a buscar maneiras de exploração econômica daquela riqueza, envolvendo indivíduos e empresas grandes, médias e pequenas, até que finalmente um cidadão desenvolveu tecnologia viável.

Rapidamente, e de forma surpreendente, os EUA, que cada vez mais se tornavam dependentes do petróleo do Oriente Médio como fonte de energia, com consequências geopolíticas e econômicas importantes, conseguiram aumento significativo da produção doméstica e caminham para a autossuficiência, situação impensável alguns anos atrás.

Outra característica da economia americana também importante neste processo é o fato de a construção de gasodutos no país ser uma iniciativa privada, com licenciamento prático e veloz. Isso permitiu a rápida construção de uma rede nacional de gasodutos com investimentos de um número enorme de empresas e fundos.

Os EUA agora têm uma fonte de energia mais barata que as demais regiões do mundo, viabilizando a volta da competitividade de indústrias que se julgava terem definitivamente migrado para países em desenvolvimento, como a petroquímica. Todas as indústrias intensivas de energia têm hoje nos EUA vantagem competitiva relevante em função da energia abundante e barata.

A agropecuária brasileira tem características semelhantes ao fenômeno do gás de xisto. Em primeiro lugar, a propriedade privada da terra. A escolha do que, quando e onde plantar também é privada, sendo projeto e decisão de milhares de pequenos, médios e grandes empresários rurais. O gargalo ainda a ser equacionado é o transporte da safra.

Como em muitos países, a ação governamental bem-sucedida ocorreu na pesquisa tecnológica. A Embrapa é um exemplo disso. Seu desenvolvimento de sementes, variedades de plantas e tratamento do solo foram fundamentais para a revolução tecnológica no cerrado brasileiro.

São dois exemplos, nos EUA e no Brasil, que oferecem muitas lições sobre o desenvolvimento econômico e o papel dos governos.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 28 de abril de 2013.

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