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Junji Abe: “Costumes admiráveis”

Ex-deputado do PSD comenta os hábitos do povo japonês – como as crianças que fazem a faxina das escolas – e como a disciplina e rigidez dos orientais se tornam alicerces de uma sociedade organizada e respeitosa.

15 de dez de 2015

Junji Abe, ex-prefeito de Mogi das Cruzes (SP) e ex-deputado federal pelo PSD-SP

Um dos fatos que me chamou a atenção no Japão, já no aeroporto, foi o uso de máscaras hospitalares por várias pessoas. Não se trata de lei nem nada do gênero. É costume de japoneses colocar o acessório por causa de alergias, viroses ou simples resfriados. Parece estranho, mas contribui muito para evitar a propagação de doenças contagiosas.

No Brasil, os japoneses deixaram o público boquiaberto ao recolherem o lixo do chão do estádio, logo após uma partida de futebol, durante a Copa de 2014. Era apenas o senso de responsabilidade baseado no conceito simples de que, se sujou, deve limpar. Também é com essa naturalidade extrema que tiram os sapatos para entrar em casa, na sua e na dos outros. Ou incentivam os restaurantes a oferecerem pano quente e úmido para que os clientes limpem as mãos antes das refeições. Questões de higiene e de respeito. Consigo mesmo e com o próximo.

Por falar em limpeza, desde crianças os japoneses aprendem que devem limpar aquilo que sujam. Tanto que a faxina das escolas, inclusive dos banheiros, é feita pelos próprios alunos como parte da grade curricular. Particularmente, acho extremamente válido o ensinamento. É a semente da cultura que, mais tarde, conduzirá a práticas como a de recolher lixo do estádio. Ou garantir que as ruas de lá estejam livres da sujeira que se entulha nas nossas.

Apesar da importância desses costumes para chancelar a disciplina e rigidez dos orientais como alicerces de uma sociedade mais justa, organizada e respeitosa, o Japão detém uma das maiores taxas de suicídio entre países desenvolvidos: são 18,5 para cada 100 mil habitantes. O paradoxo é que o senso de responsabilidade, tão cultivado entre os japoneses, é também um dos fatores que tornam o povo nipônico mais propenso a tirar a própria vida.

Muitos idosos se matam para aliviar suas famílias do que pensam ser um peso extra. E ainda garantir que recebam o dinheiro do seguro de vida, porque as companhias costumam pagar a indenização, mesmo em casos de suicídio. Como se vê, toda sociedade tem seus erros e acertos. E é bom que seja assim. Acima de tudo, vale aprender costumes admiráveis e absorver o que é útil.

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