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Junji Abe: “Lama da morte”

Em artigo, Junji Abe critica ausência de medidas por parte do poder público em relação ao desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem de Mariana (MG). "Apesar das desgraças, perduram a imprevidência e a impunidade", afirma.

01 de dez de 2015

Junji Abe, ex-prefeito de Mogi das Cruzes (SP) e ex-deputado federal pelo PSD-SP

Não há consolo para a hecatombe que já matou 12 pessoas, deixou 11 desaparecidas e quase um mês depois, desabrigou centenas, dizimou animais e a flora, condenou recursos naturais e comprometeu a biodiversidade de tal forma que não há previsão de recuperação nem para as gerações futuras.

O rompimento da barragem em Mariana (MG), catalogado como o maior desastre da indústria de mineração no País, desencadeou o tsunami de lama que matou o Rio Doce. E, junto, a fonte de vida ligada a ele. Espalhou-se um volume estimado de 40 bilhões de litros de lama. O material está contaminado por metais.

Não vemos os responsáveis pela tragédia – Samarco, mineradora da Vale e da anglo-australiana BHP Biliton – adotando medidas para reverter a contaminação. E nem para evitar novas ocorrências. Igualmente, não há punições à altura da gravidade da tragédia. Em outras nações, acidentes de menor proporção teriam desencadeado ações saneadoras e prisões em série.

Aqui no Brasil, tudo que se sabe é que não se sabe o que causou a ruptura da Barragem do Fundão. Embora caríssimos, existem tratamentos para minimizar os impactos da contaminação. Porém, não serão levados adiante por conta da pasmaceira do poder público frente à tragédia. Apesar das desgraças, perduram a imprevidência e a impunidade.

Primeiro, a fiscalização varia de nula a deficiente. Segundo, se algo dá errado, o prejuízo financeiro da empresa é ínfimo, comparado aos danos socioambientais. Há situações emblemáticas no Alto Tietê, como a explosão do lixo depositado no aterro sanitário da Pajoan, em Itaquaquecetuba, ou o rompimento do duto de combustíveis da Transpetro, na Volta Fria, em Mogi das Cruzes. Em ambos os casos, o passivo ambiental persiste, sem que a aplicação de multas tenha forçado sua eliminação.

Enquanto o poder público no Brasil continuar cúmplice da política do descaso com a sociedade, praticada por empresas que mantêm atividades geradoras de risco socioambiental, estamos fadados a conviver com ameaças de reprises de tragédias. Se nada mudar, não tardará para que outras hordas de lama da morte cubram o território nacional, aumentando a conta do descalabro para as gerações futuras.

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