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Junji Abe: ‘Mestres do saber’

Em artigo, deputado defende que os alunos sejam atendidos por profissionais valorizados e qualificados para uma ação pedagógica mais eficiente, numa rede escolar integrada com a comunidade. "Não há como tornar real a implantação do tempo integral nas escolas sem a devida valorização do professor."

21 de out de 2014

Junji Abe, deputado federal pelo PSD-SP

Houve um tempo em que investir em educação se resumia em abrir escolas. Tudo gravitava em torno de obras. Se faltava dinheiro para erguer um prédio, contêiner virava unidade escolar. Mais de 40 alunos e o professor, literalmente, enlatados no espaço improvisado. Essa visão simplista, típica da miopia aguda que acometeu o poder público, marginalizava os agentes da missão de educar. Era como se uma orquestra pudesse existir só com instrumentos. Sem músicos. Foi a política adotada pelo governo paulista até meados dos anos 1990 – e só mudou a partir da gestão do saudoso Mário Covas.

Anos a fio de rotina de trabalho sem a devida valorização, longe dos cursos de reciclagem e de outras atividades para o aperfeiçoamento profissional minam a disposição e embotam a criatividade do mais abnegado trabalhador. Paralelamente, sedimentam a acomodação e fomentam a resistência para inovações.

Ninguém que trabalha insatisfeito produz bem. E não vive bem. Um professor desmotivado pode gerar estudantes desinteressados. Igualmente, pode ser até indiferente com os pais dos alunos. Um educador desatualizado corre o risco de perder o respeito da classe, dos colegas e, por tabela, de quem mora na região onde atua. Resultado: aprendizado comprometido e relacionamento ruim com a comunidade.

Para alavancar o processo de evolução do ensino, é preciso ter prédios bem planejados, equipamentos de ponta e remuneração compatível dos profissionais. Mas, também é fundamental o esforço mútuo do poder público e dos educadores, com a participação da comunidade. Neste quesito, é vital resgatar a educação familiar. Os pais precisam saber pregar aos filhos o senso de responsabilidade, do que é correto, ético e moral. Antigamente, havia rigor na chamada criação. A conduta começou a mudar e, aos poucos, a carga acabou transferida para os educadores, o que sobrecarregou os profissionais do ensino. E isto não é certo.

Enquanto prefeito de Mogi das Cruzes, com mais de 400 mil habitantes, investimos pesado nos profissionais para alcançar a meta do ensino de qualidade, sempre baseados no conceito que descrevi. Lidamos com o ser humano que é cada integrante do Sistema Municipal de Ensino. Não se obriga um professor a aprender a ensinar melhor. Esse desejo precisa ser despertado e cultivado.

Deixamos a administração em 2008 com a certeza de que 100% dos educadores perseguem o objetivo de ensinar cada vez melhor. Em apenas um ano, os mais de 1,5 mil profissionais da rede municipal preencheram as perto de 10 mil vagas oferecidas em cursos, oficinas, palestras e workshops, todos voltados à capacitação profissional.

A construção do prédio do Cemforpe (Centro Municipal de Formação Pedagógica) coroa o bem-sucedido plano de ações para o desenvolvimento e aprimoramento profissional. É um equipamento apropriado para os educadores orquestrarem o ensino de qualidade. Vem de Mogi das Cruzes o exemplo que pode e deve ser aproveitado em nível nacional.

Significa garantir que os alunos sejam atendidos por profissionais valorizados e qualificados para uma ação pedagógica cada vez mais eficiente numa rede escolar integrada com a comunidade e capaz de consolidar os avanços necessários na educação. Não apenas em estrutura física. Mas, principalmente, na dinâmica de ensinar e aprender. Com prazer. E todo dia, porque o aprendizado do ser humano é infinito. E vamos combinar: não há como tornar real a implantação do tempo integral nas escolas, do Infantil ao Ensino Médio, sem a devida valorização do professor. Afinal, é ele quem constrói os futuros profissionais.

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