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Junji Abe: ‘Pet shops sob vigilância’

Ex-deputado fala sobre projeto que determina visibilidade obrigatória dos serviços de banho e tosa, além de filmagem do atendimento, acesso online e armazenamento das gravações pelo período mínimo de seis meses.

17 de jul de 2015

Junji Abe, ex-prefeito de Mogi das Cruzes e ex-deputado federal pelo PSD-SP

A sociedade brasileira preocupa-se cada vez mais com o bem-estar animal e o combate à crueldade a que os bichinhos são, muitas vezes, submetidos. Os maus-tratos ocorrem não só nas ruas ou em casas da escória desalmada, mas também em estabelecimentos onde os animais deveriam receber os melhores cuidados, considerando que seus humanos pagam pelos serviços prestados. É o caso de determinados pet shops. Por incrível que pareça, há registros de mortes e sequelas irreversíveis, decorrentes de procedimentos inadequados durante banho e tosa.

Em resposta às justas preocupações de ativistas da causa animal, apresentei à Câmara Federal o projeto de Lei (7291/2014), que prevê uma espécie de Big Brother nos pet shops. Assim como o sistema de monitoramento existente no reality show da Rede Globo, a proposta determina visibilidade obrigatória dos serviços de banho e tosa prestados por estabelecimentos a cães e gatos, além de filmagem do atendimento, acesso online pela internet e armazenamento das gravações pelo período mínimo de seis meses.

Como não permaneci exercendo o cargo no Parlamento, a proposição foi arquivada em 31 de janeiro deste ano, último dia da legislatura anterior. Teria ficado perdida nos anais da Casa, não fosse a iniciativa do deputado federal Herculano Passos. Graças ao correligionário paulista – ele também integra o PSD –, a íntegra da minha proposta voltou a tramitar na Câmara Federal, sob a forma de projeto de Lei (1855/2015).

Se transformado em lei, o sistema de monitoramento em vídeo flagraria condutas impróprias em pet shops. Infelizmente, não poderá desfazer o mal feito e muito menos trazer o animal de volta à vida. Porém, poderá inibir práticas ruins e determinar o fechamento de estabelecimentos de fundo de quintal, além de constituir prova para ações judiciais que responsabilizarão os criminosos.

Para dizer o mínimo, o uso de escovões de cerdas rígidas (usados para esfregar capachos) no banho é abominável. O correto é ensaboar o animal e massagear os pelos com as mãos, de modo similar à lavagem de cabelos. Há estabelecimentos que tratam os bichinhos como um pedaço de tapete. Para secá-los, usam máquinas com jatos de ar frio ou quente demais. Pior é o tal micro-ondas, equipamento de secagem onde muitos morrem por asfixia ou choque térmico. Outros sofrem queimaduras, como o cão que teve suas quatro patas torradas dentro de um pet shop.

Dezenas de ONGs de proteção animal vêm recebendo denúncias de tutores sobre espancamentos, fugas, animais machucados, cortados, anestesiados, mortos e outras irregularidades. Em Curitiba, uma cadela Yorkshire foi morta a pancadas por um tosador que se irritou com a mordida do animal. Em São Paulo, uma gata morreu por causa de ferimentos com a máquina de tosa. Já um cão perdeu a vida enforcado, após por ter pulado da mesa de secagem, estando amarrado a uma alça da mesa, sem ninguém por perto. São muitos as histórias terríveis desencadeadas por profissionais despreparados.

O mercado de produtos e serviços para animais de estimação é um dos que mais cresce no País. Estabelecimentos sérios não farão qualquer objeção à proposta porque o monitoramento lhes dará maior credibilidade. Já os oportunistas, que não têm equipe devidamente preparada e só entram no ramo para ganhar dinheiro, precisam fechar as portas. Um avanço já conseguimos: a ideia do Big Brother nos pet shops voltou a ser avaliada no Congresso Nacional. Vale toda nossa pressão para que seja aprovada. Pelo bem dos animais. Para tranquilidade dos donos.

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