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Kátia Abreu: ‘Pra que discutir com Madame?’

Para a senadora do PSD, "é urgente decifrar o enigma do semiárido brasileiro, área coberta pela caatinga, que só existe no país".

13 de jul de 2013

Kátia Abreu, senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). 

O refrão do samba de Haroldo Barbosa e Janet Almeida – especialmente se cantado por João Gilberto, para mim, extraordinário – resume a premissa essencial das medidas econômicas baixadas para enfrentar a seca calamitosa que, nos últimos dois anos, castigou a agricultura do semiárido nordestino: “Pra que discutir com Madame?”.

No nosso caso, indagaria “pra que discutir com a Natureza?”, senhora muito caprichosa e que deve ser seduzida com imaginação e precisão. Jamais com improvisação ou prepotência.

Esse raciocínio não representa conformismo. Pelo contrário. É urgente decifrarmos o enigma do semiárido brasileiro, área coberta pela caatinga, bioma que só existe no Brasil.

Diferentemente de outras regiões semelhantes mundo afora, aqui a seca nem sempre é sucedida pela normalidade de uma estação generosa. É isso que nos condena à frustração de safras perdidas e à desorganização econômica e social de milhões de brasileiros.

Diante da inclemência da seca, pouco se divulga que o semiárido brasileiro é a região que registra o maior volume de chuva se comparada a outras áreas semelhantes do planeta, que enfrentam as estiagens sem trauma e produzindo de forma mais regular.

Pela lógica dos contrastes, que tanto excita a curiosidade humana, se em regiões similares outros povos encontraram formas de conviver com a sazonalidade meteorológica que nos aflige, por que estamos condenados ao vexame de secas sucedidas por graves crises no nosso Nordeste?

A resposta, certamente, virá de uma conjunção multidisciplinar. Temos agrônomos, economistas, meteorologistas, geógrafos e tantas mais categorias de especialistas, todas capazes de intervir na realidade.

E temos a Embrapa Semiárido, com certeza capaz de liderar esse time e indicar formas eficazes de retirarmos, definitivamente, o semiárido brasileiro do índex das regiões mais indecifráveis do mundo.

Com o novo PAP (Plano Agrícola e Pecuário) do Semiárido, este governo avançou no rumo de outros países que venceram desafios climáticos semelhantes.

Já era hora de ir além dos lamentos em razão dos períodos de estiagem que fragilizam 22,5 milhões de nordestinos, distribuídos em área equivalente a 10% do território nacional, que abrange 1.135 municípios dos nove Estados da região.

Ainda assim, não há como não acudir o sertanejo judiado pela estiagem com medidas de emergência. Por isso, nada mais justo do que a suspensão da execução de dívidas e a fixação de novos pra- zos para o pagamento de compromissos assumidos e não cumpri- dos, em razão da inclemência da natureza.

Dessa forma, a MP 610, aprovada anteontem pelo Senado, complementa o PAP do Semiárido e nos renova as esperanças.

A MP acudiu mais de 500 mil famílias de agricultores atingidos pela seca, possibilitando a liquidação ou a renegociação de suas dívidas.

Mais do que o necessário alívio financeiro, o que agora anima o produtor nordestino é essa inédita orquestração de setores governamentais na busca de uma política integrada para o semiárido.

Nessa orquestração, está presente a preocupação com o acesso às tecnologias disponíveis e com a capacitação dos agricultores e pecuaristas.

Para viabilizar o acesso às tecnologias, a presença efetiva do governo se faz fundamental. Afinal, são necessários investimentos mais altos do que o valor da terra.

E, para bem compreender a relevância do aporte tecnológico ao sistema produtivo, dele tirando o melhor proveito, é necessário que se tenha a capacitação adequada.

A contribuição da CNA para esse novo olhar dirigido ao produtor nordestino é o programa Sertão Empreendedor, formuladoem parceria do Senarcom o Sebrae.

Esse programa estimula o planejamento, uma nova forma de gestão e a adoção de tecnologias voltadas ao semiárido.

O projeto-piloto está sendo desenvolvido em seis cidades da Paraíba e será estendido aos nove Estados da região.

Há caminhos para produzir e viver bem no nosso Nordeste, ora seco e inóspito, ora verde e abençoado.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 13 de julho de 2013.

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