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Miguel Heredia: Kassábio

Em artigo, o doutor em Sociologia pela PUC-SP afirma que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, soube imprimir ao novo partido uma orientação moderada, equidistante dos extremos, apoiado no bom-senso.

16 de ago de 2012

Miguel Heredia, bacharel e mestre em Economia pela UFF e doutor em Sociologia pela PUC-SP.

O PSD (Partido Social Democrático), idealizado por Gilberto Kassab, tem gerado certa perplexidade a diversos analistas políticos, visto que a legenda criada pelo prefeito de São Paulo tem assumido papel de protagonista no cenário nacional nas articulações para as eleições municipais deste ano que, certamente, vão se refletir no cenário nacional de 2014. Os analistas políticos costumam questionar a contradição do novo partido ao apoiar, por exemplo, a pedido da presidente Dilma, o candidato petista à prefeitura de Belo Horizonte, Patrus Ananias e, ao mesmo tempo, coligar-se em São Paulo – inclusive indicando o vice – à candidatura do tucano José Serra.

Sugerem, esses analistas, que o ‘pragmatismo realista’ seja sintoma de falta de definição ideológica, ou seja, fisiologismo escancarado. Entretanto, esse julgamento, calcado numa dicotomia esquerda-direita, ignora fatos relativamente recentes no cenário internacional, como a capitulação dos principais defensores da total desregulamentação dos mercados, consequência da crise de 2008, ou seja, desconhecem que o Keynesianismo voltou a moda com toda força, com seu pragmatismo, em que as estratégias são mutáveis em decorrência da mudança da realidade.

Da mesma forma que na economia, na política observando a vivência partidária se constata que os partidos políticos abrigam em seu interior militantes de perspectivas extremamente divergentes. Mesmo os partidos que se propõem a maior ‘afinamento’ ideológico possuem filiados que não falam a mesma linguagem. Assim sendo, o prefeito paulistano, na sua grande sabedoria ao imprimir ao novo partido orientação moderada, equidistante dos extremos, está apoiado no bom-senso. Ao contrário do que julgam seus críticos, Kassab mostra coragem de se posicionar politicamente, sem as amarras ideológicas paralisantes, identificando, caso a caso, os projetos merecedores de apoio, e isso é exatamente o que pensam as classes médias do País, formadoras de opinião, que não estão interessadas nas ultrapassadas ideologias intituladas de esquerda ou direita e que apostam no estudo como forma de ascender socialmente, trabalham de forma incansável e acreditam no movimento social que leve a comportamento mais ético à classe política, independentemente de vestir azul ou vermelho.

Artigo publicado no Diário do Grande ABC em 16 de agosto de 2012.

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