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Moreira Mendes: Os dois Brasis que não se conhecem

O deputado federal comenta os conflitos entre o Brasil que produz e o Brasil que consome e lembra que esses dois polos devem se aproximar.

11 de dez de 2012

Rubens Moreira Mendes Filho, deputado federal pelo PSD-RO e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

É comum ouvir falar que existem vários “brasis” dentro do Brasil. Absolutamente compreensível dada às dimensões continentais de nosso país e à imensa diversidade cultural que serviu de base para a construção de nossa sociedade.

Claro que isso não é apenas positivo, como gostaríamos. Existem contradições, conflitos de ordem social, política, econômica, entre outros. Uns até salutares para o aperfeiçoamento de nossa sociedade, outros nem tanto.

Neste espaço falarei de apenas dois desses muitos “brasis”: o que produz e o que consome. Apesar de formar uma cadeia natural indissociável, infelizmente esses dois brasis não se conhecem como deveriam. É difícil para alguns compreender “as distâncias” que os separam.

A falta de conhecimento do Brasil consumidor sobre o produtor, é o motivo de inúmeros debates na sociedade. Processo natural em democracias como a nossa, mas extremamente preocupantes quando um dos lados não tem conhecimento da pauta e, muito mais grave, quando é manipulado por pseudo ambientalistas patrocinados pelo bilionário (em euros e dólares) “circo” em que transformaram a defesa do meio ambiente no Brasil.

Questões como o novo Código Florestal Brasileiro refletem bem o que digo. Quem acompanha minhas atividades no Parlamento sabe do esforço que eu e muitos outros colegas fizemos para garantir a segurança jurídica indispensável ao Brasil que produz. Nós lutamos pelos “dois lados da moeda”. Produtores e consumidores. Um não existe sem o outro. Prova disso, é a nossa marcante presença no PIB nacional. Neste caso, não saiu o projeto ideal, mas já avançamos nos principais pontos, com a consciência dos que se preocupavam com as distorções do passado, empenhados no presente e preocupados com o futuro. É o que entendemos como sustentabilidade.

Por falar nisso, não posso compreender como a sociedade do Brasil consumidor que se diz comprometida com a tão decantada sustentabilidade, descrimina o Brasil produtor. Explico: falta de conhecimento da realidade, do outro Brasil. Uma mãe que leva seu filho para comprar leite e acha que o alimento comprado foi produzido no fundo do estabelecimento, não sabe que em algum lugar do País um produtor rural levantou cedo, ordenhou uma vaca e enviou o leite para um laticínio que o processou e colocou nas gôndolas do supermercado. Ou seja, o Brasil que consome não conhece nada do que produz, a sociedade urbana desconhece a realidade do homem do campo.

Para minha alegria e de muitos brasileiros preocupados com essa distorção secular, o distanciamento entre esses dois brasis pode estar com seus dias contados, com a excelente campanha “Sou Agro”, divulgada pelos principais veículos de comunicação do País. Com a credibilidade do brasileiro mais conhecido em todo o mundo, Pelé, e a participação de nomes que muito fizeram e ainda fazem pela agricultura brasileira, como Roberto Rodrigues e Alysson Paulinelli. Dois craques nesse campo. No momento, não vejo nada mais brasileiro, mais aglutinador e agregador de nossa gente em torno de algo tão comum a todos nós. Inclusive aos que ganham e gastam bilhões no sentido contrário. Será sem dúvida alguma, o primeiro passo para aproximar esses dois brasis, tão dependentes um do outro, mas tão estranhos entre si, a ponto de permitir o surgimento de preconceitos pelo puro desconhecimento de suas realidades e importâncias.

Outro tema que preocupante é a contínua criação de novas terras indígenas e a ampliação de muitas já existentes. O objetivo é tirar da produção áreas produtivas. Novamente, aqueles patrocinados por bilhões de dólares e euros, tentam semear a discórdia entre o produtor rural e os índios. Transformando uma questão secular em algo menor como ampliação de terras. Ora, se nossos produtores são capazes de cada vez mais produzir mais em menos espaço, o que sustenta essa falácia dos falsos ambientalistas e defensores dos índios? Nada.

Prova disso, é a mais completa pesquisa de opinião realizada nas aldeias brasileiras pelo conceituado Instituto Datafolha e divulgada pela revisa Veja, de 14 de novembro de 2012, sob o título “O que querem os índios”, onde a maioria dos entrevistados, claramente, declara que seu maior desejo é “progredir socialmente, mas que ainda dependem do governo para sobreviver”. A questão de ampliação de suas aldeias, ou redemarcação, como defendem os que na sua maioria sequer lá sabem como chegar, aparece como a última das aspirações dos nossos índios. E, assim mesmo, quando induzidos ao tema.

Não podemos desconsiderar que as questões ambientais assim como a expansão de terras indígenas influenciam no Brasil que produz. Isso, os barulhentos disfarçados de ambientalistas, jamais terão a honestidade em afirmar. Contra isso que não medimos esforços no debate do novo Código Florestal, e por isso que estamos vigilantes contra as falácias dos que dizem defender os índios, mas que ignoram os reais desejos daquelas comunidades.

Mas sou um otimista com esses brasis que defendo. O que semeia, colhe e participa de forma importante no PIB, bem como com o que se alimenta, mas que pouco conhece do que produz. Tenho a convicção de que já iniciamos a queda das barreiras construídas por aqueles que promoveram esse distanciamento de mundos tão próximos e comuns um ao outro. Acredito que cada vez menos haverá espaços para os falsos “messias”. Para meu alento e de todos que desejam a integração completa desses dois brasis, temos alcançado conquistas no Congresso Nacional e em setores compromissados de nossa sociedade.

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