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Moreira Mendes: “Quem sustenta o PIB hoje”

O agronegócio continua aguardando a melhoria das condições da movimentação e do armazenamento da safra agrícola, diz, em artigo, o deputado do PSD.

13 de jun de 2013

Moreira Mendes, deputado federal (PSD-RO) e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Combatido e execrado pelo PT antes de chegar ao poder, o agronegócio alcançou um patamar de excelência e agora é considerado por setores do próprio governo como a “salvação da lavoura” da economia brasileira, que nem sequer consegue acompanhar o ritmo de crescimento dos demais países emergentes por motivos que não serão tratados neste momento.

O fato relevante é que o agronegócio está fortalecendo a composição do PIB, como comprovam os dados divulgados pelo IBGE com o resultado do desempenho da nossa economia no primeiro trimestre deste ano.  Neste período, o setor respondeu com extraordinária contribuição ao registrar expansão de 9,7% na comparação com os últimos três meses de 2012. Sobre o mesmo período do ano passado, o avanço foi maior, de 17%.

Caso o agronegócio tivesse variado 0%, o resultado do PIB teria sido de apenas 0,1% e não 0,6% no primeiro trimestre. O vexame pelo pibinho seria ainda maior não fosse a safra recorde de grãos, avaliada em 185 milhões de toneladas, que está impulsionando a economia embora o governo insista em não dar a atenção que o setor precisa e mercê. Esse descaso é facilmente verificado nas longas filas de caminhões nos acessos  aos portos, nas estradas esburacadas, na insuficiência e precariedade de armazéns e silos para a estocagem da safra.  O governo prometeu fazer investimentos “como nunca antes” em infraestrutura para destravar o nó logístico e por enquanto essas promessas não saíram do papel.

Na primeira semana de junho, a presidente Dilma anunciou com toda pompa o Plano Agrícola e Pecuário 2013/2012, de R$ 136 bilhões, com destaque para a logística. Desse volume de recursos, o governo pretende investir R$ 5 bilhões na construção de armazéns privados nos próximos dois anos, valor que poderá alcançar a casa dos R$ 25 bilhões em cinco anos, segundo prometido pela presidente. Parabéns à presidente!

O governo corre contra o tempo porque os armazéns públicos e privados tem déficit de 45 milhões toneladas. Hoje só temos capacidade de estocar somente 72% das safras de milho e soja. Nos Estados Unidos, onde o agronegócio é levado a sério, a capacidade de estocagem é de 133%.

No país existem 96 armazéns públicos e 265 privados com capacidade estimada de estocagem de 145 milhões de toneladas.  Fazendo as contas, 40 milhões de toneladas da safra de grãos deste ano terão de ser armazenadas em silos improvisados e nas carrocerias de caminhões país afora. Isso sem contar a leniência governamental para solucionar os inúmeros conflitos de terras e o preço do frete, que fica mais caro a cada dia pela situação deplorável das rodovias e a longa espera para o descarregamento nos terminais portuários.

Assim, quem sustenta o PIB hoje vai ter que continuar aguardando para que o governo consiga planejar e executar nos próximos anos a melhoria das condições da movimentação e do armazenamento da safra agrícola. Como estamos vivendo tempos de Copa das Confederações, vamos torcer.

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