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O PSD e o novo cidadão pragmático

As eleições de 2012 deixaram claro: o eleitor amadureceu e não segue tendências ideológicas. Leia artigo do deputado Eduardo Sciarra.

21 de nov de 2012

Eduardo Sciarra, deputado federal e presidente da Executiva Estadual do PSD-PR

O PSD que nasceu robusto, detentor da terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, enfrentou o primeiro teste das urnas com apenas um ano e saiu ainda mais fortalecido. Com 498 prefeitos eleitos, o PSD vai governar o quarto maior número de municípios no país, posição que se repete no Paraná onde responderá por 37 prefeituras. Com a vitória de Alexandre Kireeff em Londrina, a soma de orçamentos municipais a ser administrada pelo PSD, o terceiro maior bolo do estado, saltou para R$ 1,5 bilhão. O PSD foi o campeão de aproveitamento de candidatos a prefeito. Elegeu 54% dos 68 postulantes que lançou.

Longe do protagonismo midiático, o capital político adquirido pelo PSD nas urnas o coloca naturalmente no centro dos debates com vistas às eleições de 2014. Se num primeiro momento o partido havia se formado nas bases municipais pela agregação de diferentes e heterogêneas forças, hoje a sua composição vem legitimada pelo voto, influenciando nos rearranjos regionais e estaduais, bem como nos rumos da sucessão presidencial. É nesse cenário político favorável que o PSD inicia o debate interno sobre o seu futuro.

No Paraná, as eleições municipais redesenharam por completo as relações de forças que havia pouco tempo atrás. Ainda é cedo e nem arriscaria afirmar as tendências de alianças daqui por diante. Mas, como dirigente do PSD, defendo que o partido deva abrir conversações em diversas frentes para que possamos firmá-lo definitivamente no embate político que ora começa a se configurar. Acusado de ser um partido sem escopo ideológico, em verdade, seus fundadores pretendiam – e pretendem muito mais agora – uma nova prática político-partidária que, de forma generalizada, ainda não foi absorvida pela mídia e agentes do poder.

Ao afirmar que o PSD nascia sem ser “nem de direita, nem de esquerda e nem de centro”, o prefeito Gilberto Kassab tentou uma definição para o surgimento de um partido que não se atrelava às escolas tradicionais de formação política, via de regra arraigadamente vinculadas a claras tendências ideológicas. O PSD optou por se livrar dessas amarras, do mesmo modo que a sociedade tem feito celeremente nas últimas décadas. O mundo mudou e os partidos políticos estagnaram-se. E, na prática, tentam, perplexos, interpretar essas transformações pelo filtro de suas convicções ultrapassadas. Não é à toa que estejam tão afastados da realidade econômico-social contemporânea.

A agenda da sociedade moderna é outra. Interessa-lhe tão somente resultados ao seu bem-estar, à defesa dos direitos individuais e coletivos e à moralidade pública, não importando se quem está em seu comando seja de direita, de esquerda ou de centro. A palavra de ordem (e não apenas da moda) é pragmatismo. As eleições de 2012 deixaram isso evidente. O eleitor brasileiro amadureceu e fez opções por projetos e nomes que dizem respeito diretamente aos seus interesses e necessidades imediatos. Se falharem, haverá troco daqui a quatro anos. Ou até antes, em 2014. Simples assim.

Obviamente que os partidos e seus militantes fazem contas e comemoram (ou não) os números obtidos nas urnas. Mas, embora importantes e de peso fundamental, não serão determinantes nas eleições futuras. Porque a sociedade está atenta e não se deixa mais levar por acordos previamente estabelecidos pelos “grandões”. O “timing” e o “feeling” para que o eleitorado tome uma decisão estão mais apurados. Tanto que expuseram as pesquisas e certas práticas de marketing eleitoral ao ridículo em todo o país.

Essa nova postura, sem medo das pressões oligárquicas, coronelistas ou ideológicas, despontou por todos os cantos. No Paraná, os exemplos vieram de várias cidades. Algumas, tidas e havidas como conservadoras, jogaram no lixo o estereótipo ideológico que lhes era imputado. O que se verificou em comum foi o papel fundamental da classe média tradicional (não da nova). Foi ela quem determinou os eleitos nessas cidades. Saiu às ruas, às páginas virtuais e impôs a sua vontade. É assim que se comporta o cidadão pragmático. Essa é a identidade do PSD. 

Artigo publicado no Jornal do Estado em 19 de novembro de 2012.

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