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Ricardo Patah: PIB de rico em país pobre

Em artigo, o presidente nacional da UGT comenta o "divórcio" entre a robustez do PIB brasileiro e os problemas sociais do País.

30 de mar de 2012

Ricardo Patah, coordenador de movimentos sociais do PSD e presidente nacional da Central Sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT)

A estabilidade monetária conquistada nos últimos anos, aliada às políticas de transferência de renda (que dinamizaram o mercado interno) e, combinado ao encolhimento da economia britânica por causa da crise europeia, fizeram do Brasil a sexta maior economia do mundo, com um PIB de 2011 de US$ 2,367 trilhões. Mas ocupa apenas a ridícula 71ª posição mundial em renda per capita, o equivalente a US$ 12.144).

Isso revela que há um divórcio, a ser superado, entre a robustez do PIB e a grande maioria da sociedade. Até porque o governo Dilma não pretende, ou não deve reproduzir o velho modelo que pregava: “é preciso fazer o bolo crescer para depois reparti-lo”.

Senão, vejamos. Dos 187 países analisados pela ONU), O Brasil ocupa a 84° posição em IDH (Índice de Desenvolvimento Humanos), perdendo para Argentina, México, Chile e Uruguai.

No Brasil, segundo o IBGE, há 16,263 milhões de miseráveis. Destes, 5,7 milhões moram em domicílios com rendimento de R$ 1 a R$ 39 mensais. Somados aos 4,8 milhões que não têm nenhuma renda, são 10,5 milhões de pessoas. O Censo de 2010 aponta 4 milhões de domicílios miseráveis no País: 1,62 milhão deles sem renda, e outros 1,19 mil, com renda de R$ 1 a R$ 3.

Somos campeões mundiais em duas modalidades: taxas de juros e concentração de renda e de riqueza (ativos financeiros, fábricas, terras, imóveis em geral etc.) Para se ter uma ideia, a renda dos 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza.

Temos outros déficits sociais. Cerca de 25% da população não são atendidos em saneamento básico, 10% não desfrutam do consumo de água tratada, 11,56% dos municípios brasileiros não têm uma biblioteca pública sequer, o déficit habitacional chega à casa de 8 milhões de unidades.

O ensino médio no Brasil possui um déficit de 250 mil professores, especialmente das disciplinas de química, física, matemática e biologia, áreas cruciais para transitar para a chamada “sociedade do conhecimento”. O analfabetismo ainda é uma chaga. Temos 13,9 milhões de brasileiros. O Nordeste está em pior situação, com 19.1%, enquanto no Sudeste os analfabetos são 5,5% e no Sul, 5,1%, no Centro-Oeste são 7,2%; no Norte, 11,2%.

Continuamos reprovados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), ostentando a vergonhosa 53ª colocação entre os 65 países pesquisados no estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

É lastimável constatar que em 2011 o Brasil não teve nenhuma universidade sua no ranking das 100 melhores universidades do mundo, segundo a Times Higher Education (THE), instituição inglesa, e responsável pela avaliação junto a mais de 13 mil professores de 131 países do mundo. A USP é a melhor instituição avaliada e ocupa a 178° posição.

A média de escolaridade no país é simplesmente vergonhosa – o brasileiro não vai além de 7,2 anos de frequência escolar. O Brasil é ainda um país que maltrata suas crianças. Chega a 5.452 milhões o número delas de 5 a 17 anos que trabalham e a mortalidade infantil alcança em média 22,5 por mil nascidos vivos. Isso revela a razão profunda do atual “apagão” de mão de obra no país – importamos mão de obra estrangeira!

Outro exemplo concreto de abandono e exclusão são os trabalhadores rurais, cujos direitos continuam a ser desrespeitados, e a informalidade no campo é gravíssima. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, há 15,588 milhões de trabalhadores rurais no Brasil, o que representa 16,8% de todas as pessoas ocupadas no país. Excluindo-se os que trabalham por conta própria – empregadores, agricultores que produzem para o próprio consumo e trabalhadores não remunerados – há 4,9 milhões de pessoas empregadas no campo, sendo que apenas 32% têm carteira assinada.

São estarrecedores os dados de uma pesquisa do IBGE, divulgada em setembro de 2007, os quais revelam a imensa dificuldade do acesso à cultura por parte da população: o brasileiro lê, em média, 1,8 livro por ano, 92% nunca foram a um museu, 93,4% não conhecem exposições de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.

Uma das formas de medir o grau de desenvolvimento de um país é através do número de depósitos de patente nos organismos internacionais. Patinamos aqui também. Segundo a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), que reúne os pedidos de patente feitos por empresas de todas as partes do mundo, o Brasil continua na 24ª colocação no ranking de depositantes de patentes, atrás de outras economias emergentes, como a China (4º lugar), a Índia (17º lugar) e Rússia (21º lugar). Os Estados Unidos permanecem sendo o país que mais solicita patentes, com 48.596 pedidos, seguido por Japão (38.888 depósitos), Alemanha (18.568 depósitos), China (16.406 depósitos) e Coreia do Sul (10.447 depósitos).

Nossas exportações atingiram em 2011 a marca de US$ 256 bilhões e as importações, US$ 226 bilhões, mas o Brasil respondeu por apenas 1,6% do total de exportação de todos os países do mundo, ocupando a 21ª posição.

É fundamental romper o divórcio entre a robustez do PIB e os demais indicadores sociais. Para tanto, precisamos de um projeto nacional de longo alcance histórico, que ataque os gargalos estruturais e redesenhe o modelo de desenvolvimento rumo à sustentabilidade. 

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