Loading

Pesquisar

Ricardo Patah: ‘A saúde particular pede água’

Em artigo, coordenador do PSD Movimentos propõe uma discussão sobre a crise pela qual passa o sistema de saúde privada no País.

06 de jun de 2013

Ricardo Patah, coordenador nacional do PSD Movimentos e presidente da União Geral dos Trabalhadores – UGT

Não bastasse a grave crise do sistema de saúde pública, com hospitais superlotados e prestando um péssimo serviço à população, agora até mesmo os portadores dos caros planos de saúde passam mal na rede hospitalar privada: prontos socorros lotados, filas, longas esperas de atendimento, demora na marcação de consultas, exames e cirurgias, superlotação e médicos submetidos a longas jornadas e, às vezes, sem vínculo empregatício.

A crise da saúde pública e o aumento dos que usam planos privados explicam parte do fenômeno. Afinal, o número de usuários em planos privados de assistência médica subiu. De 32 milhões (dezembro de 2003) para 47,9 milhões (dezembro de 2012), ou seja, um crescimento de 49,47%. Já os beneficiários em planos exclusivamente odontológicos saiu de 4,3 milhões para 18,6 milhões, um crescimento de 332,56% no mesmo período.

No entanto, frente a isso, não cresceu na mesma proporção o número de médicos e estabelecimentos de saúde que atendem planos privados de saúde. Há um divórcio, portanto, entre pacientes/segurados e número de médicos/estabelecimentos de saúde e talvez por isso também se assista a um número cada vez mais crescente de reclamações nos Procons contra os planos de saúde.

Como explicar o colapso no atendimento na rede particular de saúde? Faltam médicos, equipamentos, hospitais, clínicas e consultórios? O problema é de gestão? Estamos convencidos que é um pouco de tudo isso e isso revela, por fim, que tanto a saúde pública quanto a saúde privada estão doentes e andam no mesmo trem com um passageiro único e frustrado: o cidadão!

Paga-se caro pelo plano de saúde e tem-se uma péssima prestação de serviço e muitos planos repassam valores irrisórios aos médicos, explorando o trabalho destes profissionais, muitas vezes trabalhando sem nenhum tipo de vínculo empregatício.

A solução é obrigar os planos a ampliarem o número de leitos, quartos, UTIs, enfermarias, hospitais, clínicas, consultórios,médicos e enfermeiros em proporção ao número de segurados do plano de saúde. Não se pode ficar parado vendo a demanda crescer e a oferta de serviços e profissionais ficar estacionada.

É preciso uma regulação que combata a deterioração do atendimento à saúde na rede complementar. Os planos não podem mais continuar contratando novos clientes sem que antes tenham feito a lição de casa básica: aumentar a oferta de bens, serviços e profissionais.

E isso implica em investimentos novos e melhor remuneração para os profissionais da área. Temos, enfim, que abrir a caixa preta dos planos de saúde no Brasil e estabelecer regras claras em benefício do paciente, do cidadão.

Não tenho nenhuma ilusão quanto à solução definitiva de todo esse problema da saúde, que, para mim, passa pelo aumento quantitativo e qualitativo do investimento na saúde pública. Mas devemos atuar no terreno concreto da vida, que é a existência da saúde complementar, que não pode ficar sem regulação, fiscalização e cobrança da cidadania e dos poderes públicos.

Problemas macroeconômicos, contudo, não impedem que indiquemos medidas saneadoras imediatas, dentre as quais dar dignidade para o médico e o seu paciente e forçar uma legislação que, com a participação da sociedade civil organizada, possa, de fato, quebrar essa caixa preta que é a dos planos de saúde do Brasil.

Artigo publicado no jornal O Vale em 30 de maio de 2013.

Informações Partidárias

Notícias