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Ricardo Patah: ‘Revolução necessária’

Em artigo, presidente da UGT fala sobre os temas do congresso da central sindical e acredita em nova maneira de defender os trabalhadores, através de um sistema mais moderno e com práticas inovadoras.

16 de jun de 2015

Ricardo Patahpresidente nacional da UGT e coordenador do PSD Movimentos

Duas goleadas na Copa do Mundo de 2014 nos envergonham. A primeira é o 7 a 1 que levamos da Alemanha. Um placar que ainda provoca calafrios nos torcedores. A outra é muito mais vergonhosa. Ficou escondida a sete chaves e o mundo não a conhece: são as 12 mortes de trabalhadores, 11 deles terceirizados, na construção de estádios.

À época, tentamos divulgar os números, mas a mídia, tomada pela euforia da Copa, não deu espaço para a notícia. Quantos desses trabalhadores mortos eram precarizados, sem proteção adequada para executar as tarefas, ainda não sabemos.

É por isso que a UGT (União Geral dos Trabalhadores) está preocupada com o projeto de lei nº 4.330, em discussão no Congresso, que regulamenta a terceirização das atividades-fim, do qual somos contra. O texto aprovado até agora abre espaço para a precarização do trabalho, o que assusta os trabalhadores.

Precarização significa redução de direitos trabalhistas em benefício do lucro máximo. Somos a favor do lucro, pois este gera desenvolvimento, empregos e traz bem-estar, mas para que traga progresso deve haver divisão dele entre todos.

O Brasil, apesar dos avanços, ainda é muito desigual. Nós da UGT, uma central independente, estamos determinados a revolucionar o sindicalismo, utilizando conceitos de cidadania, ética e inovação, marca registrada da nossa entidade, fundada há oito anos para defender os trabalhadores.

Como exemplo da concretização dessas novas práticas, realizamos, a partir desta terça-feira (16), o nosso 3° congresso, no Anhembi, em São Paulo, com a presença de 3.500 trabalhadores de todo o país.

O evento representa a oportunidade de discutir temas importantes, como “Trabalho e desigualdade – o futuro do emprego”, “Desenvolvimento sustentável com justiça social” e as “Reformas estruturais de que o Brasil precisa”, com a participação de diversos especialistas.

Também estarão presentes mais de 70 líderes sindicais da Europa, Ásia, África e Américas para trocarmos experiências sobre as cadeias produtivas. As grandes empresas globais, como se sabe, desmontam o sistema sindical e social dos trabalhadores e eliminam direitos previstos em lei. Causam desemprego, precarização e informalidade.

O nosso congresso possibilitará a troca de experiências sobre esses assuntos com 13 debatedores dos cinco continentes, buscando respostas globais que defendam os interesses dos nossos trabalhadores.

As práticas inovadoras da UGT também se estendem à comemoração do 1° de Maio. Nos últimos dois anos, promovemos seminários em parceria com a Unicamp, nos quais discutem-se economia, política, mobilidade, saúde e educação.

Por fim, quero rebater o artigo do respeitado jornalista e professor Gaudêncio Torquato, A orfandade dos trabalhadores, publicado neste espaço (Folha de S. Paulo) na última terça (9). Nele, o autor questiona: “Qual é a real situação dos trabalhadores, quem canaliza suas demandas?”.

Posso garantir que a UGT canaliza as demandas de seus mais de 8 milhões de trabalhadores. E posso afirmar também que a nossa central está mudando as práticas sindicais, fazendo a “revolução necessária” que os trabalhadores e a sociedade esperam de nós.

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 16 de junho de 2015.

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