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Roberto Macedo: ‘Rolezinhos – da filosofia aos comerciários’

Em artigo, economista defende diálogo com praticantes, com a representação dos comerciários que trabalham nos shoppings e que ficam no prejuízo com eventos do tipo.

13 de fev de 2014

Roberto Macedoeconomista e coordenador do Núcleo de Estudos do Espaço Democrático. 

O filósofo francês Gilles Lipovetsky, numa palestra no Brasil há alguns anos, ao analisar nossa realidade sociohistórica, ressaltou  o consumo, a moda e o luxo, temas que também interessam a economistas como eu. E é sabido que os “rolezeiros” são muito focados na moda e no consumo, que vêem como um luxo.

Para Lipovetsky cada um tem sua ideia do que é luxo, muitas vezes ligada à sua comunidade. Nessa linha, mencionou nossos índios, que se enfeitam luxuosamente para suas celebrações, e também todo o luxo ostentado pelas escolas de samba. 

No livro Os Tempos Hipermodernos, Lipovetsky identificou o que chamou de hipermodernismo, assim explicado: “(…) temos: (1) a passagem do capitalismo de produção para uma economia de consumo e de comunicação de massa; e (2) a substituição de uma sociedade rigorístico-disciplinar por uma ‘sociedade-moda’ completamente reestruturada pelas técnicas do efêmero, da renovação e da sedução permanentes. Nasce toda uma cultura hedonista e psicologista que incita à satisfação imediata das necessidades, estimula a urgência dos prazeres, enaltece o florescimento pessoal, coloca no pedestal o paraíso do bem estar, do conforto e do lazer. Consumir sem esperar; (…) divertir-se; não renunciar a nada (…).”

Traduzindo esse “filosofês” que coloca os “rolezinhos’ como fenômeno hipermoderno: seus praticantes apreciam o consumo e a moda, a cultura do prazer, inclusive na urgência de beijar as ‘minas’, querem ser admirados pelas suas aparências e seus feitos, e por aí afora. Fotos nas reportagens e capas de revistas? É a glória. 

Outro filósofo francês, Guy Debord, autor de A Sociedade do Espetáculo, também realçou um traço da sociedade atual que alcança os “rolezeiros”: “(…) onde predominam as modernas condições de produção, toda a vida se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos.”  Depois de refundir a ideia de ser  na de ter, “(…) a atual fase de total ocupação da vida social pelos resultados (…) da economia (…) ” produziu um “(…) generalizado deslize do ter para o aparecer, do qual todo o efetivo ter deve extrair seu imediato prestígio e sua função final.”  Ora, o esforço de aparecer é também típico dos “rolezeiros”.

Pouco tenho a dizer sobre como lidar com eles. Talvez caiam de moda ou de conveniência para seus praticantes.  De qualquer forma, o diálogo entre as partes é indispensável. Vem ocorrendo, mas do lado dos shoppings é limitado a seus donos ou executivos. Falta a representação dos comerciários que trabalham nos shoppings recebendo parte de seus ganhos na forma de comissões sobre vendas, e assim ficando no prejuízo com os “rolezinhos” ou com a simples ameaça deles. 

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