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Fábio Feldmann: Soluções criativas para 2012

O consultor em sustentabilidade defende, em artigo, alianças estratégicas entre sociedade civil e setores empresariais comprometidos na busca de respostas criativas para as questões ambientais.

04 de jan de 2012

Fábio Feldmann
coordenador do Conselho Temático de Meio Ambiente do Espaço Democrático

Muitas pessoas dizem que um dos problemas do ambientalismo é o tom apocalíptico de suas manifestações: aquecimento global, perda da biodiversidade, poluição e contaminação dos rios e oceanos, enfim, afirmam que o tom profético afasta as pessoas do engajamento e das soluções.

Creio que é impossível fugir de constatações sobre a gravidade do problema, uma vez que a ciência demonstra os impactos provocados pela Humanidade no planeta.

Como já escrevi nesta coluna, alguns cientistas já falam do Antropoceno – quando a Humanidade adquire uma força geológica capaz de provocar grandes alterações que vão da composição química da atmosfera, passando pela destruição dos oceanos e a contaminação perigosa dos ambientes. Não há como deixar de registrar esta realidade trágica e de caráter irreversível em alguns casos.

Por outro lado, há grandes razões para otimismo e esperança. Expressões como “biodiversidade” têm pouco mais de vinte anos e são de uso comum da Humanidade. Os conceitos de biosfera e de ecossistema também são novos, têm menos de cem anos de criação.

Quando foi dado o grande alerta por Rachel Carson sobre a contaminação dos pesticidas, esta grande bióloga foi extremamente contestada pela indústria e hoje há plena consciência da necessidade de tecnologias menos contaminantes e impactantes.

A primeira grande Conferência das Nações Unidas se realizou em Estocolmo em 1972 e nela só participou um chefe de Estado, a ex-primeira ministra Indira Gandhi, da Índia, que lá manifestou sua desconfiança sobre as reais intenções dos países ricos ao levantarem a bandeira do ambientalismo planetário.

Naquela década, praticamente inexistia o conceito de ONGs, sendo importante ressaltar que uma das mais carismáticas entidades, o Greenpeace, foi criada em 1971.

No campo dos Direitos Humanos, o surgimento da Anistia Internacional se deu no mesmo período, sendo importante registrar a influência que tais entidades possuem no mundo contemporâneo.

Com isso, quero assinalar que o patamar de consciência existente hoje é incontestável. A sustentabilidade, ainda que imprecisa enquanto conceito, hoje permeia praticamente todas as atividades da Humanidade, sendo inimaginável que uma empresa deixe de considerá-la nas suas estratégias de médio e longo prazo, sob pena de sobrevivência.

O conflito se dá entre a urgência dos problemas e a lentidão das soluções, sendo impossível prever se a Humanidade será capaz de promover as mudanças no tempo requerido, especialmente levando-se em conta que são soluções que envolvem muitos atores e demandam criatividade nos arranjos políticos e institucionais.

Lembro de uma discussão durante a negociação do Protocolo de Kyoto sobre as punições aos países que deixassem de cumprir as suas metas. Imagine o leitor, quando os EUA ainda faziam parte do Protocolo, que tipos de penalidade poderiam ser impostas à maior economia e potência militar do planeta?

Creio que soluções criativas surgirão se formos capazes de pensar em novos arranjos institucionais nos quais se pensem em alianças estratégicas entre sociedade civil e setores empresariais comprometidos, amparados por legislação e governos com visão do século XXI. Sei que não é fácil, mas creio que é possível criar respostas criativas para problemas de magnitude não enfrentados pela Humanidade até hoje.

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 02/01/2012

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