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Túlio Kahn: ‘Criminalidade e violência nos eventos esportivos’

Levantamento mostra que pelo menos 155 torcedores morreram em brigas desde 1998 até o início de 2012; sociólogo do Espaço Democrático aborda o tema, cujo interesse aumenta com a proximidade da Copa do Mundo.

10 de dez de 2013

Túlio Kahn, sociólogo e coordenador do Conselho de Segurança Pública do Espaço Democrático.

O tema da violência nos estádios esportivos sempre foi motivo de preocupação num país onde os campeonatos de futebol são importantes e geram disputas acirradas, envolvendo grandes e fervorosas torcidas, que por vezes levam para fora dos campos suas animosidades.

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 o interesse pela questão aumenta. São torcedores de outros países querendo saber os riscos que correm e organizadores preocupados em garantir a paz nos espetáculos. E também os órgãos públicos envolvidos voltam suas atenções para a preservação da ordem pública e a segurança dos eventos de grande porte, que serão mostrados e repercutidos em todo o mundo.

Um levantamento feito pelo sociólogo Maurício Murad de casos relatados pela imprensa entre 1999 e 2009 contabilizou 42 mortes de torcedores no período, o que, segundo o autor, faria o Brasil liderar o ranking dos países com maior número de mortes de torcedores, superando Itália e Argentina, que figuravam no topo da lista no início do período. E um ponto interessante, diz Murad, é que “grande parte desses torcedores mortos não tinham relação com outros eventos violentos ou torcidas organizadas.”

Uma análise mais recente, cuja fonte também utilizou artigos de jornal, foi realizada pelo jornal Lance, dedicado a assuntos esportivos. O levantamento contabiliza 155 mortes de torcedores desde 1988 até início de 2012. São Paulo é o recordista com 32 mortes, seguido do Rio de Janeiro com 19. O levantamento da Lance sugere também que os casos estão aumentando anualmente, embora não se possa dizer se é o fenômeno que cresce ou apenas a cobertura jornalística dos fatos.

O levantamento diz que em apenas 27 casos (17,4%) houve a prisão do autor, impunidade que acaba por estimular outros casos de violência. Cerca de 40% dos casos ocorre fora de dias de jogos, dificultando a prevenção, pois a polícia não está no local. E, tanto nos dias de jogo quanto nos dias sem jogos, a violência ocorre basicamente nas ruas, fora dos estádios. Do ponto de vista do local dos incidentes, vale notar que apenas cinco cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Fortaleza e Belo Horizonte) concentram mais da metade das mortes (54,8%).

Estudo feito pela FGV a respeito do público nos estádios de futebol mostra que, em termos percentuais, o campeonato brasileiro é o que menos atrai torcedores aos estádios. Claro que o preço dos ingressos em relação aos salários afeta esta equação, mas é possível especular que tanto a violência quanto as questões de desordem tenham efeitos independentes no afastamento do público dos estádios.

O primeiro levantamento, realizado por Murad, nos deixa com uma média de 4,2 mortes por ano e o segundo, feito pela Lance, com uma média de 6,4. Do ponto meramente quantitativo o número é inexpressivo num pais onde ocorrem  36,3 mil homicídios por ano (Mapa da violência 2012, Instituto Sangari). Mas a questão não é a quantidade e sim o simbolismo: as pessoas vão aos estádios para se divertir e o esporte é uma atividade ligada ao lazer, saúde e ‘a vida, não a morte.  O que choca a sociedade é a morte neste contexto e a banalidade da motivação.

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