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Túlio Kahn: ‘Manifestações podem ter contribuído para o crescimento dos roubos’

"A sensação de desordem e de ausência de autoridade, além dos saques e depredações nos dias de manifestação, pode ter contribuído para que muitos criminosos oportunistas avaliassem que era um bom momento para agir", diz Tulio Kahn.

03 de set de 2013

Túlio Kahn, sociólogo e coordenador do Conselho de Segurança Pública do Espaço Democrático.

Analisando a tendência dos últimos meses, observamos aumentos significativos nas taxas de variação dos roubos (comparadas ao mesmo mês do ano anterior) nos Estado de SP, RJ, MG, RS, MT e GO e diminuição no ritmo da queda dos roubos em MS e SC. Pela média das oito UFs, vemos que o primeiro semestre de 2012 começou ruim, mas que no segundo semestre a situação voltou a melhorar ligeiramente em alguns Estados.

O movimento cíclico fica mais claro quando analisamos as tendências tomando as médias móveis dos últimos cinco meses, para eliminar oscilações perturbadoras. Temos o esgotamento de uma fase de baixa no final de 2012 e o início de uma fase de alta em 2013. A última coluna mostra uma queda linear nas taxas de crescimento dos roubos entre janeiro e dezembro de 2012 e um aumento linear a partir de então.

O comportamento individual de cada Estado varia ligeiramente, mas pode-se discernir um padrão geral. Se estamos diante de um padrão geral “nacional”, então é preciso buscar causas gerais que o expliquem e aqui a conjuntura econômica é a melhor candidata.

Os ciclos criminais, principalmente dos crimes patrimoniais, seguem de perto os ciclos econômicos e diversos indicadores sugerem uma deterioração da conjuntura econômica nacional nos últimos meses.

Note-se em particular os crescimentos acentuados dos roubos nos meses de junho e julho. Além da conjuntura econômica, é possível especular que as manifestações de junho tenham contribuído para este aumento, não apenas pelo deslocamento de efetivos policiais durante a crise como principalmente pelo clima geral de desordem provocado.

Esta sensação de desordem e de ausência de autoridade, além dos saques e depredações nos dias de manifestação, pode ter contribuído para que muitos criminosos oportunistas avaliassem que era um bom momento para agir.

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