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Crise hídrica preocupa, mas não exigirá racionamento

Em debate presidido pelo deputado Joaquim Passarinho, ministro das Minas e Energia descarta racionamento de energia, mas alerta para a necessidade de racionalização do uso da água

24 de jun de 2021

O deputado Joaquim Passarinho: “É preciso discutir o multiuso da água, quando se abrem as comportas das hidrelétricas.”

O deputado federal Joaquim Passarinho (PSD-PA) presidiu na quarta-feira (23) audiência pública sobre a questão hídrica no País e manifestou sua preocupação com a atual situação. “A água não serve só para gerar energia. É preciso discutir o multiuso da água, quando se abrem as comportas das hidrelétricas. No meu Estado, o Pará, temos a usina de Belo Monte, que impacta nas comunidades ribeirinhas cada vez que retém ou abre a vazão da água. Esse é um tema muito caro para todos nós”, destacou o deputado no debate que teve a presença do ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque.

O ministro descartou a necessidade de racionamento de eletricidade, apesar de o País estar enfrentando a pior crise hídrica em 91 anos. Contudo, ele alertou para a importância da adoção de medidas que evitem o risco de interrupção no fornecimento em horários de pico e a dependência do próximo período úmido. “Se nada for feito, podemos chegar a uma condição bastante desfavorável ao final deste ano, com os nossos reservatórios abaixo de 20%”, previu Albuquerque.

O ministro explicou que, em 2020, a condição dos reservatórios era de normalidade, mas, com a diminuição de chuvas entre outubro do ano passado e maio deste ano, 2021 já começou em uma situação pior. Atualmente, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração de energia do País, estão com apenas 30,2% de sua capacidade.

Bento Albuquerque afirmou que o plano de ação posto em prática desde outubro de 2020 tem 40 itens, como o acionamento das usinas termelétricas; o aumento da importação de eletricidade da Argentina e Uruguai; e uma campanha para estimular o uso racional de energia; além de um programa com a indústria para reduzir o consumo no horário de pico.

Outras providências listadas pelo ministro de Minas e Energia são a antecipação de obras em usinas e linhas de transmissão e o suprimento de combustível para as usinas já em funcionamento. Desde maio, uma Sala de Situação instalada na Casa Civil da Presidência da República monitora a situação hídrica do País.

Crise

Bento Albuquerque ressaltou que não é possível comparar a crise atual com as que aconteceram em 2001 e 2014. “É importante ressaltar que a nossa capacidade instalada mais do que dobrou, saindo de 81 GW para 186 GW de 2001 para 2021. A representação da matriz hidráulica era cerca de 85%; hoje ela corresponde a 61%. A nossa matriz também se diversificou bastante, principalmente com energias renováveis”, observou.

O ministro de Minas e Energia declarou que espera chegar ao final do ano com o sistema elétrico em melhores condições e sem onerar o consumidor. Ele informou que, no ano passado, o reajuste médio das contas foi de 2,5%.

Para o deputado Joaquim Passarinho, ainda é preciso avaliar a questão tarifária da energia no País. “É preciso ficarmos atentos à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que às vezes extrapola as suas competências. Mas reforço ao ministro que pode contar com a parceria da Comissão de Minas e Energia para que, juntos, possamos resolver os grandes problemas do País no que tange o setor elétrico”, disse.

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