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Estímulo à homeopatia e fim do preconceito em debate

Em sessão requerida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), especialistas defenderam a necessidade de facilitar o acesso ao tratamento pelo SUS e incentivar pesquisas científicas

11 de abr de 2022 · homeopatia, Nelsinho Trad, Senado

Nelsinho Trad em sessão remota que comemorou o Dia Internacional da Homeopatia

Redação Scriptum com Agência Senado

Em sessão requerida pelo pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), foi realizada na segunda-feira (11) sessão especial remota em comemoração ao Dia Internacional da Homeopatia. Combater o preconceito com mais esclarecimento à população, facilitar o acesso ao tratamento pelo SUS e incentivar pesquisas científicas foram alguns dos pontos defendidos por especialistas no evento.

O presidente da Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), Luiz Darcy Gonçalves Siqueira, explicou que a data é celebrada mundialmente em 10 de abril em razão do aniversário de Samuel Hahnemann, médico alemão que iniciou a homeopatia, no ano de 1796.

Ele esclareceu que durante todos esses anos esse tipo de tratamento tem ganhado respaldo científico, fazendo com que várias especialidades da medicina e de outras áreas da saúde a introduzam como um conhecimento especial da terapêutica, observando a lei dos semelhantes. “Por exemplo, é significativo que Hahnemann e os homeopatas em geral se interessam por todo tipos de sintomas corporais e mentais. A consideração do doente sob todos os seus aspectos, tentando melhorar não exclusivamente seus problemas orgânicos, nos parece atitude que dá valor autêntico à homeopatia”.

Siqueira destacou ainda que “cada médico homeopata deve ter em mente os alcances e limites da terapêutica que dependem da sua avaliação clínica. Por isso, há necessidade da prescrição como ato médico, sendo também a homeopatia especialidade em outras profissões da saúde, como odontologia, veterinária e, no campo da agronomia, sua aplicação eficaz na saúde das plantas”.

Nelsinho Trad, que também é médico e defensor da homeopatia, esclareceu que a ideia central dessa ciência é usar de substâncias do próprio corpo humano na produção de respostas metabólicas capazes e suficientes para estimular o processo de autocura. No entanto, mesmo com todas as evidências científicas comprovadas, segundo Trad, a especialidade ainda é vista com preconceito no país.

Apesar de ser devidamente reconhecida como especialidade médica pela Confederação Federal de Medicina (CFM) desde 1980, o senador do PSD observa que o tratamento tem pouco incentivo no país, principalmente nas escolas de medicina. Ele afirmou que apenas algumas faculdades ofertam essa disciplina na grade de ensino, comprovando que a falta de estímulo leva ao desconhecimento, e este, ao preconceito.

Para Trad, o Brasil precisa quebrar seus preconceitos contra essa ciência que é a homeopatia. “Esse processo deve se iniciar entre os profissionais de saúde, especialmente entre os médicos naturais prescritores de fármacos, que, apesar de haver um conselho federal validando a homeopatia, resistem em aprofundar seus conhecimentos sobre o tema, refutando a validade dessa prática terapêutica muitas vezes de forma preconceituosa e infundamentada, como costuma ser a matriz dos preconceitos. De acordo com dados do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná, na Europa 75% da população reconhece o valor científico da homeopatia e 30% a utilizam como terapêutica. Investir na difusão do conhecimento é essencial para romper preconceitos”.

Evidências científicas

Pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Marcus Zulian Teixeira reforçou as críticas feitas por Trad. Ele afirmou que as evidências científicas da homeopatia precisam ser usadas para rebater o que chamou de “pós-verdade” ou fake news das grandes massas sobre o tema. O pesquisador citou como ação nesse sentido o dossiê especial Evidências Científicas em Homeopatia, elaborado pela Câmara Técnica de Homeopatia do Conselho Regional de Medicina, em 2017, abordando nove revisões narrativas em diversas linhas de pesquisas da homeopatia que comprovariam o efeito do tratamento na melhoria de enfermidades e na promoção de benefícios aos pacientes. 

A coordenadora da Comissão de Educação da Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), Rosana Mara Ceribelli Nechar, ressaltou que a sessão foi uma boa oportunidade para “jogar luz” a uma das 54 especialidades reconhecidas pelo CFM e que pode auxiliar no tratamento de várias doenças da atualidade. Na sua visão, uma das formas de enfrentar o preconceito e a falta de clareza sobre o tema é fazendo com que a disciplina seja ofertada nas universidades como matéria obrigatória, e não de forma isolada ou alternativa, como na maioria das universidades.

Oferta no SUS

Coordenador da Comissão de Saúde Pública da AMHB, João Márcio Berto explicou que a homeopatia já está inserida na Política Nacional de Práticas Interativas e Complementares (Pnpic) do Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os tipos de atenção, seja ela primária, secundária ou terciária.

De acordo com ele, essa introdução se deve à compatibilidade com os princípios do sistema — entre eles, a universalidade, a integralidade e a equidade. Apesar de as diretrizes estarem bem estabelecidas na Pnpic, na prática, segundo Berto, o tratamento é pouco estimulado por ausência de investimentos em pesquisa, além da falta de esclarecimentos da população e dos profissionais.

Na visão do médico homeopata Ubiratan Adler, professor do Departamento de Medicina na Universidade Federal de São Carlos, o incentivo a essa especialidade pode ser alavancado com a criação de um fundo para o financiamento de pesquisas científicas no país, como alternativa à medicina e ao tratamento farmacológico convencionais. Para ele, o financiamento seria constituído de forma “independente” da indústria farmacêutica, de forma a ampliar as evidências baseadas nos estudos clínicos da homeopatia.

Farmacêutico homeopata

Para a farmacêutica homeopata Karen Berenice Denez, além do estímulo as pesquisas e estudos clínicos, é importante a presença do farmacêutico homeopata no Sistema Único de Saúde, conforme resolução do Conselho Federal de Farmácia. Na avaliação dela, esse profissional vai atuar como responsável sobre a indicação dos medicamentos homeopáticos, além de exercer um papel fundamental na relação prescritor-farmacêutico-paciente.

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