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Hugo Leal: ‘Transporte público precisa mudar o foco’

O deputado federal do PSD fluminense diz que o setor precisa de um novo modelo de financiamento, criado a partir de um debate que leve em consideração as necessidades da população, e não apenas o lucro 

13 de maio de 2021

O deputado Hugo Leal diz que crise se agrava quando o serviço é visto como negócio, cujo foco é na tarifa e no lucro das concessionárias.

Os problemas do transporte público no Brasil se agravaram durante a pandemia e o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) acredita que o setor precisa ser encarado como um serviço público e um direito social. Esta crise, diz o deputado, atinge diretamente a população e se agrava quando o serviço não é visto como um direito social concedido pelo poder público, mas como um negócio, cujo foco é na tarifa e no lucro das concessionárias.

Para Leal, um dos problemas que precisam de solução são os mais de 66 mil postos de trabalho perdidos em todo o segmento de transporte urbano de passageiros, entre janeiro a dezembro de 2020, segundo dados do Painel do Emprego da Confederação Nacional do Transporte (CNT). “Isto acarreta uma diminuição na frota e mais ônibus lotados durante a pandemia, quando a orientação é para o distanciamento social”

O parlamentar do PSD afirma que é fundamental que se tenha uma discussão séria no país, principalmente nos municípios onde a população sente diretamente os problemas do transporte público. Para ele, é preciso buscar um modelo de financiamento onde o transporte individual subsidie o transporte público. Este tipo de modelo, segundo ele, é praticado em diversos países e traz muitos benefícios à população.

Hugo Leal lembra que este serviço público é um direito social previsto na Constituição. “Precisamos buscar a fórmula para que o Poder Público tenha recursos, como acontece em setores como saúde e educação, para garantir esse direito” afirma o deputado.

A fuga de passageiros, segundo o deputado, não foi apenas um efeito da pandemia, mas resultado de fatores como a deficiência do serviço e o preço alto. Ele lembra as manifestações ocorridas no país em 2013 tiveram origem num aumento de 20 centavos na tarifa dos ônibus urbanos.

Assim, em sua opinião, a sociedade precisa se organizar e discutir o problema a partir do ponto de vista da população e não pautada pela tarifa e a concessão como um negócio que precisa dar lucro.

Para ele, se a discussão não mudar o foco, todas as medidas serão paliativas e sem resultado. Ele cita dados como os levantados pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), mostrando que, nas maiores cidades do país, 10 operadoras e um consórcio suspenderam as atividades; quatro operadoras encerraram suas atividades; uma operadora e um consórcio operacional sofreram intervenção na operação; e quatro operadoras tiveram seus contratos suspensos. “Isto pode ocorrer em qualquer cidade se não houver uma mudança de postura do gestor público em olhar a concessão do transporte público como um direito social”, finalizou o deputado.

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