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DEBATE

Investimento e crédito para recuperação da economia

Reunidos em seminário na Câmara, especialistas dizem que superação dos impactos da pandemia depende de ação coordenada dos governos, com mais investimentos e menos subsídios setoriais

18 de maio de 2022

O deputado Francisco Jr (o segundo da esquerda para a direita) participou de seminário internacional que debateu o cenário econômico pós-pandemia

Redação Scriptum com Agência Câmara

A retomada do crescimento econômico no período pós-pandemia vai depender de uma ação coordenada dos governos, com ênfase maior em investimentos e menor em incentivos ou subsídios setoriais. A opinião é de especialistas ouvidos pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara, durante o seminário internacional que debateu o cenário econômico pós-pandemia na quarta-feira (18).

O deputado Francisco Junior (PSD-GO), um dos relatores do estudo “Retomada econômica e geração de emprego e renda no pós-pandemia”, que está sendo conduzido pelo Cedes, incluiu o planejamento como um fator essencial para o desenvolvimento do Brasil. “Não podemos fazer isso de forma improvisada e de última hora. É necessário discutir, debater e nos preparar devidamente”, disse.

Por sua vez, o primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PSD-AM), que participou da abertura do evento, propôs uma estratégia baseada em três pilares para a retomada do crescimento econômico no Brasil: ambiente de negócios, política de crédito e política tributária menos regressiva.

Ramos disse que crises institucionais prejudicam a recuperação da atividade econômica. “Os períodos pós-crise são períodos de um crescimento natural. Infelizmente temos esse crescimento natural reprimido por crises institucionais que geram desconfiança e insegurança em relação à estabilidade política, econômica e institucional do nosso País”, afirmou.

Para o diretor da divisão para a globalização e estratégias de desenvolvimento na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Richard Kozul-Wright, “o investimento tem que ser o elemento central das estratégias de desenvolvimento”.

O professor associado de economia industrial da University College London, Antonio Andreoni, afirmou que “estratégias minimalistas”, como concessão de benefícios fiscais para setores específicos, não são eficientes para garantir a recuperação econômica. Ele também defendeu o investimento do setor industrial. “Isso é muito importante para ter uma economia cada vez mais resiliente para responder a crises”, disse.

A mudança no modelo econômico também foi defendida pelo professor de Economia Política e Desenvolvimento Internacional no King’s College London, Alfredo Saad-Filho. Ele afirmou que os estímulos fiscais concedidos pelos governos para combater a pandemia reduziram o apelo por austeridade fiscal. “Precisamos de um sistema econômico com impostos progressivo, como expansão dos serviços públicos”, afirmou Saad-Filho.

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