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Jornal destaca desempenho de Otto Alencar na CPI

O estilo direto e o conhecimento médico do parlamentar do PSD da Bahia é tema de matéria de O Estado de S. Paulo. “O senador vem se destacando na CPI por usar suas intervenções para dar uma aula de medicina”

14 de jun de 2021

O estilo franco faz com que Otto assuma abertamente suas críticas ao desempenho de Jair Bolsonaro no combate à pandemia

O conhecimento médico e o estilo direto do senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, foram tema de matéria do jornal O Estado de S. Paulo assinada pelo jornalista Marcelo de Moraes. Ao comentar o desempenho do parlamentar na CPI da Pandemia, o jornalista afirma que “o senador vem se destacando na CPI por usar suas intervenções para dar uma aula de medicina. Recentemente, ele protagonizou um dos momentos mais inusitados ao confrontar a médica Nise Yamaguchi durante seu depoimento. Incomodado com o que classificou como uma sequência de ‘mentiras’ da depoente, Otto fez uma intervenção mais dura, perguntando se ela sabia a diferença entre protozoário e vírus. E, insatisfeito com a resposta recebida, passou a descrever as diferenças”, contou.

A matéria diz que o senador, que é ortopedista, cobrou exames de pacientes tratados por Yamaguchi com o medicamento e a apresentação dos resultados. “Até porque a senhora deve saber a diferença entre um protozoário e um vírus. A senhora sabe? Qual é a diferença, doutora? Doutora Nise, estou perguntando para a senhora”, questionou Otto Alencar. Enquanto Otto insistia na pergunta, Nise Yamaguchi folheava os papéis que levou à comissão. O advogado da médica interveio. “Pela ordem o quê? É só a diferença entre um protozoário e um vírus”, reforçou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Quando a depoente respondeu — “Protozoários são organismos celulares, e os vírus são organismos que têm o conteúdo de DNA ou RNA” — o senador baiano, conta o texto, rebateu: “Não senhora, não senhora, tenha paciência. Não é bem assim. A senhora não é infectologista, se transformou de uma hora para outra, como muitos no Brasil, se transformaram em infectologista, e não é assim”, disse Otto Alencar, que prosseguiu: “A senhora não soube explicar o que é o vírus. Vírus não são nem considerados seres vivos. Portanto, uma medicação para protozoário nunca cabe para vírus”, explicou o senador-médico.

Nise Yamaguchi é uma das principais defensoras do tratamento precoce e do uso da cloroquina para o combate à covid-19. A cloroquina é tradicionalmente usada para o tratamento da malária, doença provocada por um protozoário, e já se comprovou ineficaz para a covid.

Ao Estadão, Otto — com quase meio século de formado — disse que, desde que a pandemia começou, voltou a ler e estudar novamente porque tem “dever” como médico de se informar. “As pessoas estão tomando uma medicação como se ela pudesse proteger o paciente de contrair uma virose. Não existe medicação no mundo que possa evitar que uma pessoa contraia uma virose. Por isso, perguntei para a doutora Nise a diferença entre protozoário e vírus. Para mostrar a diferença de atuação do protozoário no organismo em relação a do vírus. E nenhuma medicação antiprotozoária é antivirótica”, ressalta Otto.

Criticado pela maneira como questionou Nise, Otto garante que acabou ajudando a médica na CPI, evitando que ela mudasse sua condição de convidada da comissão para testemunha, o que a colocaria sob risco até sofrer punições da comissão, caso faltasse com a verdade. “Eu fui o melhor amigo dela porque sou colega dela. Ela devia me agradecer pelo resto da vida”, disse.

Decano da CPI, perto de completar 74 anos, esta não foi a primeira tarefa espinhosa que Otto teve que resolver na comissão. Justamente por ser o integrante mais velho, coube a ele presidir a sessão de instalação e de eleição do presidente da CPI. Político experiente — foi deputado estadual por três mandatos, governador e vice na Bahia —, segurou a pressão contrária dos governistas e garantiu que a sessão fosse feita, com a escolha do senador Omar Aziz, seu colega da bancada do PSD, para a presidência.

O estilo franco faz com que Otto assuma abertamente suas críticas ao desempenho de Jair Bolsonaro no combate à pandemia. O senador não tem dúvidas sobre a responsabilidade do chamado “gabinete paralelo” pelos problemas no enfrentamento do coronavírus. E diz que o presidente é quem dá as ordens para o grupo.

“Sem dúvida nenhuma, as orientações foram todas erradas e todas foram dadas pelo presidente da República”, afirma Otto. Para o senador, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é uma pessoa preparada mas não tem autonomia na Pasta. “Ele prescreve e orienta o isolamento físico. O presidente aglomera com as motos, nas reuniões. Não está nem aí para vacina. O ministro tem 100% de autoridade? Não”.

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