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Eduardo Paes entrega revitalização do Cais do Valongo

O prefeito do Rio de Janeiro conclui mais uma etapa do processo de recuperação do patrimônio histórico da capital fluminense. Local foi o principal cais de desembarque de escravizados do continente

24 de nov de 2023

O prefeito Eduardo Paes durante entrega do novo cais do Valongo: “A Prefeitura vai continuar pagando a conta da manutenção daqui”

Edição Scriptum com Prefeitura do Rio

Em mais uma etapa do processo de recuperação dos marcos históricos do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD) participou na quinta-feira (23) da entrega das obras de valorização do Cais do Valongo, no Porto Maravilha. Declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2017 e reconhecido como principal cais de desembarque de escravizados do continente, o Valongo foi redescoberto durante as obras para revitalização da Região Portuária em 2011, no primeiro mandato de Paes como prefeito da capital carioca.

Na época, foram investidos mais de R$ 8 bilhões na região portuária, sendo mais de R$ 30 milhões no Cais do Valongo. Nesta fase atual de intervenções, o espaço recebeu um novo guarda-corpo, iluminação cênica, sinalização informativa no padrão mundial da Unesco e a exposição artística “Valongo, Cais de Ancestralidades” que conta a história do sítio arqueológico e sua relação com o território da Pequena África.

“Estamos celebrando aqui um momento de consolidação do Cais do Valongo. Essa história começou a ser descoberta há 10 anos e a gente vê agora a transformação desse espaço. Valeu a pena apostar no projeto, pago com Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs). Meu agradecimento a toda estrutura do Estado brasileiro: os governos federal e municipal. A Prefeitura vai continuar pagando a conta da manutenção daqui, cuidando do Jardim do Valongo e fazendo com que essa área possa avançar sempre”, afirmou o prefeito carioca.

Parceria

Foram seis meses de obras após amplo processo participativo sobre as intervenções com a população local e os movimentos negros da região. O trabalho é uma parceria entre a Prefeitura do Rio, Iphan e Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). O IDG foi o responsável pela captação dos recursos e execução das obras do guarda-corpo, produção da nova sinalização e instalação da exposição artística com curadoria de Ynaê Lopes dos Santos, historiadora especialista na História da Escravidão e das Relações Raciais nas Américas. Já a nova iluminação do sítio histórico foi implementada pela Rioluz, da Prefeitura do Rio, via contrato de parceria público privada (PPP) de iluminação com o consórcio Smart Luz. A nova iluminação pública especial poderá, por exemplo, aplicar cores no Cais em dias comemorativos ou em prol de causas sociais e culturais.

Cais do Valongo foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2017

Patrimônio histórico

O Cais do Valongo é um sítio arqueológico dos vestígios do antigo cais de pedra construído pela Intendência Geral de Polícia da Corte do Rio de Janeiro para o desembarque no Rio de Janeiro de pessoas trazidas do continente africano para serem escravizadas nas Américas a partir de 1811. Em julho de 2017 foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O objetivo do cais era retirar da Rua Direita, atual Primeiro de Março, o desembarque e o comércio das pessoas, que eram tratadas como mercadoria. Assim, o Valongo se tornou a principal porta de entrada de escravizados do Brasil e do continente. Eles acabavam desempenhando trabalho forçado nas plantações de café, fumo e açúcar do interior e de outras regiões do Brasil. Os que ficavam geralmente terminavam como escravizados domésticos ou usados como força de trabalho nas obras públicas. A vinda da família real portuguesa para o Brasil e a intensificação da cafeicultura ampliaram consideravelmente o tráfico.

Em 1831, com a proibição do tráfico transatlântico por pressão da Inglaterra, o Valongo foi oficialmente fechado. Porém a ordem foi ignorada e daí surge a expressão irônica “para inglês ver”. Entre a construção do cais e a proibição do tráfico, estima-se que ingressaram no país entre 500 mil e um milhão de pessoas de diversas nações africanas, em sua maioria, do Congo e Angola.

O Rio de Janeiro, em quase quatro séculos de escravidão, recebeu sozinho cerca de 20% de todos os africanos escravizados que chegaram vivos às Américas. Isso faz da cidade e do Cais do Valongo referência do que foi a maior transferência forçada de população na história da humanidade.

Ao longo dos anos, o Cais sofreu sucessivas transformações. Uma das principais foi em 1843, quando foi remodelado para receber a Princesa das Duas Sicílias, Teresa Cristina Maria de Bourbon, noiva do Imperador D. Pedro II, passando a se chamar Cais da Imperatriz. Com as reformas urbanísticas da cidade no início do século XX, o local foi aterrado em 1911.

Desde 2012, quando foi entregue à população como sítio arqueológico para visitação, um ritual se repete todos os anos nas pedras do Cais no mês de julho. Sacerdotisas de religiões de matriz africana – mães de santo, como são conhecidas – conduzem um ritual de limpeza, purificação e homenagem aos espíritos dos ancestrais que passaram como cativos pelo local. Cantos religiosos, água de cheiro, flores e votos de amor e paz ocupam o Cais do Valongo nesta ocasião.

Herança Africana

Em 2012, a Prefeitura do Rio aceitou a sugestão do Movimento em Defesa do Direito do Negro e transformou o espaço em monumento preservado e aberto à visitação pública. O Cais do Valongo passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afro-brasileira na Região Portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.

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