
O deputado Luiz Gastão: “Não é um aumento no custo que a empresa vai pagar; no final das contas, quem paga é o consumidor.”
Edição Scriptum com Rádio Câmara
Tema que tem gerado muita polêmica nos últimos meses, a substituição da jornada de trabalho 6×1 por uma escala de 4 dias trabalhados por três de folga precisa ser melhor debatida pela sociedade brasileira. A afirmação do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), relator de uma subcomissão da Comissão de Trabalho criada para aprofundar o assunto.
Em entrevista à Rádio Câmara, ele defendeu um amplo debate sobre o tema com empresários e trabalhadores. “Você poderia acabar com a escala 6 por 1 e reduzir o salário. Mas se você acabar com a escala e não reduzir o salário, terá um aumento dos custos. Não é um aumento no custo que a empresa vai pagar. Nós temos que entender que a empresa, ela tem sua base de custos e essa base de custos é repassada para o produto, que, no final das contas, quem paga é o consumidor. E tem uma outra discussão de fundo também, que é o peso da folha de salário das empresas, de todas as empresas brasileiras e principalmente com relação àquelas empresas que tem uma grande inclusão de mão-de-obra,” completou o parlamentar.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 8/25) que acaba com a jornada 6×1 prevê a redução das horas trabalhadas na semana de 44 para 36 horas, sem redução de salário. O texto terá que passar primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Se aprovado, ainda terá de ser avaliado por uma comissão especial e em dois turnos de votação no Plenário.
Paralelamente a isso, a Comissão de Trabalho avalia a extensão da medida na subcomissão sobre o tema. O relator, Luiz Gastão, destaca que em breve será realizada uma audiência pública em São Paulo com diferentes setores abrangidos pela mudança em debate, tanto do lado dos empresários quanto dos trabalhadores.
Para o deputado, que também preside a Federação do Comércio do Ceará, é necessário refletir se os trabalhadores não desejam mais flexibilidade na sua jornada. Gastão destacou uma proposta do deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) para que os trabalhadores possam optar por uma carga horária flexível.