
O prefeito Eduardo Paes: serão investidos quase 2 bilhões de reais no projeto, que vai complementar o processo de revitalização do Centro
Edição Scriptum com Prefeitura do Rio
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), lançou na quinta-feira (20), Dia da Consciência Negra, um conjunto de ações que vão transformar a região e o entorno do Sambódromo, com investimentos de cerca de R$ 1,75 bilhão. A transformação prevista no programa Praça Onze Maravilha começa pela demolição do Viaduto 31 de Março, que abre caminho para um novo desenho urbano e para a chegada da Biblioteca dos Saberes, projetada pelo arquiteto Francis Kère, vencedor do prémio Pritzker, considerado o prêmio Nobel da Arquitetura.
O novo projeto tem como inspiração o Porto Maravilha, que requalificou com investimentos privados um importante espaço público, com valorização do patrimônio histórico e cultural, promoção da habitação e melhoria da mobilidade urbana. O nome do programa anunciado por Paes também faz referência a um samba clássico, composto por Grande Otelo e Herivelto Martins, que destaca a importância cultural da praça.
“A profecia de Grande Otelo e Herivelto Martins revela a alma encantada das ruas, a missão de investirmos na Praça Onze, no Sambódromo, nesta região que também é Pequena África. Este mapa afetivo dos saberes cariocas, desenhado por Heitor dos Prazeres, nunca deixou de existir nos sambas e em instituições culturais como a Estácio. Neste Dia Nacional da Consciência Negra, dia de Zumbi dos Palmares, temos a responsabilidade de estar à altura, no presente, do legado de uma cidade que canta e conta suas histórias”, afirmou o prefeito Eduardo Paes na apresentação do evento.
O projeto, que será financiado com recursos privados, marca um novo capítulo na história urbana do Rio e reforça a importância da Praça Onze e da Pequena África como territórios de memória, cultura e mobilidade.
“O projeto Praça Onze Maravilha vai recuperar uma área que é fundamental na história da cidade, como nós vimos aqui nesse palco, com investimento mais uma vez bancado pela iniciativa privada: serão investidos quase 2 bilhões de reais na transformação daquela região, que vai complementar o processo de revitalização do Centro. Vão ser quase 40 mil novas unidades residenciais, e mais de 100 mil novos moradores esperados nos próximos vinte anos. Com a demolição do Viaduto 31 de Março, vamos permitir a reconexão do nosso povo com as ruas. E ruas que carregam um simbolismo gigantesco, porque ali foi criado o samba. E assim como o Porto Maravilha teve a sua cereja no bolo, que foi o Museu do Amanhã, a Praça Onze Maravilha vai ter o seu símbolo maior: a Biblioteca dos Saberes!” destacou o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD).
Investimento
Para viabilizar as intervenções, a Prefeitura enviará um Projeto de Lei à Câmara de Vereadores, que propõe a criação da Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha. A lei da AEIU traz regras urbanísticas específicas para a região, como gabarito e taxa de ocupação, para permitir a construção dos residenciais e a oferta de serviços para os novos moradores. Somente na Praça Onze Maravilha, serão construídas 37,5 mil unidades residenciais nos próximos 25 anos, com a expectativa de atrair mais de cem mil moradores.
Os investimentos privados serão realizados por meio de contratos de concessão e Parcerias Público-Privadas (PPPs), que mesclam diferentes instrumentos, como potencial construtivo e pagamento de outorga onerosa. Além disso, o Município irá criar um fundo imobiliário com imóveis e terrenos públicos que poderão ser utilizados na operação.
A proposta será discutida em audiência pública ainda neste ano, e o projeto de lei será enviado à Câmara Municipal até dezembro.
Biblioteca
A Biblioteca dos Saberes será um dos principais equipamentos culturais do Rio nas próximas décadas. Com mais de 40 mil metros quadrados, o edifício terá cobogós, pilotis e jardins suspensos que conferem leveza a uma arquitetura de escala monumental. “Pretendemos que este projeto promova um espaço de diálogo e reflexão. Desejamos que as pessoas se reúnam para ouvir e compreender a história do Brasil, os acontecimentos que nos trouxeram até aqui e como nos construímos como nação. Este é o cerne do projeto”, disse o arquiteto Francis Kéré.